Autoridades iranianas vão reprimir esta semana qualquer protesto público contra a prisão domiciliar desde o ano passado dos líderes da oposição Mirhossein Mousavi e Mehdi Karoubi, teria dito um oficial neste domingo, segundo o website reformista Kaleme.
O Irã, em desacordo com o Ocidente sobre seu programa nuclear, realiza eleições parlamentares em 2 de março, na primeira votação nacional desde que Mousavi e Karoubi foram derrotados pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad em uma eleição em 2009 que eles alegam ter sido fraudada.
O governo negou qualquer fraude na eleição, que provocou oito meses de protestos nas ruas, levando a uma resposta estatal violenta e rachas profundos no governo. Os dois líderes foram colocados em prisão domiciliar em 14 de fevereiro do ano passado, após terem pedido que seus partidários se juntassem a uma marcha em apoio aos levantes populares ao redor do mundo árabe.
O governador provincial do Teerã, Morteza Tamaddon, disse que a convocação dos reformistas para uma marcha na quarta-feira para marcar o aniversário da prisão imposta a Mousavi e Karoubi era um "golpe de publicidade" dos opositores da Revolução Islâmica do Irã.
"Vamos confrontar tais ações com preparo total e todo tipo de aparato de segurança", afirmou Tamaddon, segundo o website. Dezenas de milhares de iranianos se juntaram a marchas organizadas pelo governo no sábado para marcar o aniversário de 33 anos da revolução do Irã.
A eleição parlamentar, a menos de três semanas de distância, vai testar a popularidade dos partidários de Ahmadinejad e daqueles que apoiam o líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei, em uma luta de poder entre facções conservadoras.
Reformistas já disseram que vão boicotar a eleição uma vez que suas exigências por uma votação "livre e justa" não foram atendidas. Uma baixa participação na eleição prejudicaria os esforços da liderança de conter os danos à sua legitimidade causados pela votação de 2009 e pela repressão violenta do movimento de oposição "Verde".
Dezenas de pessoas foram mortas e milhares foram presas durante os distúrbios que se seguiram à eleição e que envolveram cidades importantes, na pior crise política da história da República Islâmica.

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