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 Egito: convocação à greve marca 1º aniversário da queda de Mubarak
11 de fevereiro de 2012 12h07 atualizado às 12h41

Estudante universitário egípcio mostra um cartaz e grita slogans contra o governo militar durante uma manifestação na Universidade do Cairo. Foto: AFP

Estudante universitário egípcio mostra um cartaz e grita slogans contra o governo militar durante uma manifestação na Universidade do Cairo
Foto: AFP

O primeiro aniversário da queda do presidente egípcio Hosni Mubarak foi marcado neste sábado por uma convocação à greve geral por parte de militantes pró-democráticos para pressionar o exército a abandonar o poder.

Vários grupos, incluindo "Os jovens de 6 de abril", que contribuíram para lançar a revolta contra o ex-presidente, convocaram a população a aderir à paralisação. Um ano depois da demissão de Mubarak, forçada pela pressão popular, os militantes que provocaram sua queda exigem agora que o exército, acusado de perpetuar o antigo regime e de reprimir o movimento pró-democrático, repasse o poder aos civis.

Os estudantes têm previsto manifestar-se em várias universidades do país e na Praça Tahrir da capital, epicentro da contestação, para exigir a saída do poder do Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), a quem Mubarak entregou as rédeas do país quando se demitiu. "Faço greve porque a situação do país é ruim. Não há qualquer diferença entre o conselho militar e Mubarak", afirmou à AFP Mahmud Magdy, estudante de economia da Universidade A¯n Shams.

A convocação à greve divide a população e as forças políticas. A Irmandade Muçulmana, que domina o parlamento recentemente eleito, é contrário a ela, assim como inúmeros cidadãos que se queixam da degradação da economia e da crescente insegurança.

A televisão pública informou que os trabalhadores do setor dos transportes não vão apoiar a greve. O jornal pró-governamental Al Ahram, por sua parte, publicou em sua primeira página: "O povo rejeita a desobediência civil".

Depois dos chamados à mobilização, o exército anunciou que se posicionaria em todo o país para garantir a segurança. Na noite de sexta-feira, o exército egípcio alertou que não cederá às "ameaças nem às pressões" e afirmou que o país é vítima de complôs.

"Nunca cederemos às ameaças nem às pressões", afirmou o CSFA em um comunicado difundido pela televisão estatal. "Estamos enfrentando complôs contra a nação, que buscam fazer o Estado cair para que reine o caos", acrescentou a nota.

"Dizemos a vocês francamente que nosso querido Egito faz frente aos planos cujo objetivo é atacar o coração de nossa revolução", acrescentou o texto. Também na véspera, milhares de manifestantes atravessaram o Cairo até chegar ao ministério da Defesa, defendido pela polícia militar. Neste sábado, no bairro do ministério, alguns partidários do exército mostraram seu apoio à CSFA.

Em 11 de fevereiro de 2001, depois de 18 dias de uma revolta social sem precedentes contra o regime, o então vice-presidente Omar Suleiman anunciou em uma mensagem televisiva de menos de um minuto de duração a demissão de Mubarak.

Aclamada pela população, a junta formada por generais que o sucederam no poder prometeu facilitar a passagem para a democracia e entregar o poder aos civis. Mas hoje é acusada de buscar manter seus privilégios e de continuar influenciando a vida política.

AFP
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