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 Militares dissidentes acusam regime sírio de ataques em Aleppo
10 de fevereiro de 2012 11h22 atualizado às 13h31

Capacetes de soldados das forças de segurança são deixados no chão após o atentado. Foto: Reuters

Capacetes de soldados das forças de segurança são deixados no chão após o atentado
Foto: Reuters

O Exército Sírio Livre (ELS), integrado por militares dissidentes, acusou o regime da Síria de ter organizado os dois atentados com carro-bomba ocorridos nesta sexta-feira em Aleppo para "desviar a atenção" da repressão, principalmente em Homs. Inicialmente, agências internacionais divulgaram que o ELS havia reivindicado a autoria dos ataques.

"Este regime criminoso mata nossos filhos em Homs e realiza ataques em Aleppo para desviar a atenção do que fazem em Homs", declarou por telefone à AFP o coronel Maher Nuaimi, porta-voz do ESL.

Pelo menos 25 pessoas morreram e 175 ficaram feridas na explosão de dois carros-bomba nesta sexta-feira na cidade síria de Aleppo (norte), enquanto os tanques do Exército ingressavam em um bairro de Homs, foco dos protestos contra o regime no centro do país e bombardeado sem descanso há sete dias.

Um terrorista suicida explodiu seu veículo a 100 metros da entrada do edifício da segurança militar, informou o canal oficial, exibindo uma cratera deixada pela explosão nas imediações da sede das forças de segurança.

O segundo ataque foi teve com alvo, segundo a televisão, um edifício da segurança militar. Os militantes sírios informaram sobre três explosões, uma delas perto de um edifício da segurança em Aleppo, cidade que até agora não registrou uma forte revolta popular.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

AFP
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  1. Multidão se reúne em frente à sede da polícia, em Aleppo, após o local ser atingido por uma explosão. Pelo menos vinte e cinco pessoas morreram e 175 ficaram feridas em um duplo ataque com carro-bomba que tinha como objetivo dois prédios das forças de segurança em Aleppo, segunda maior cidade da Síria, indicou o ministério sírio da Saúde. A ação foi inicialmente reivindicada pelo Exército Livre Sírio (ELS), integrado por militares desertores, mas eles depois acusaram o regime As

    Reuters
    Foto: Reuters

  2. Capacetes de policiais atingidos pela explosão são fotografados no chão após o atentado

    Reuters
    Foto: Reuters

  3. Corpos de vítimas de ataque são cobertos por lençóis após uma das explosões

    Foto: AP

  4. Sede da polícia em Aleppo foi gravemente afetada por explosão

    Foto: AP

  5. Bombeiros inspecionam os destroços de prédio após o atentado

    Foto: AP

  6. Multidão se reúne em frente a um dos prédios atingido no duplo atentado

    Foto: AP

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