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 Rússia acusa países ocidentais de cumplicidade na crise síria
10 de fevereiro de 2012 07h47 atualizado às 08h07

Ao apoiar os opositores do regime sírio, as potências ocidentais se tornaram "cúmplices" da crise na Síria e a oposição será considerada responsável pelo "derramamento de sangue", disse nesta sexta-feira o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Riabkov.

"Os Estados ocidentais, ao incitar os opositores sírios a realizar ações intransigentes (...) são cúmplices de atiçar a crise", declarou Riabkov, citado pela Itar-Tass, acrescentando que "a responsabilidade de buscar uma solução para deter o derramamento de sangue repousa sobre a oposição", que se recusa a negociar com o regime.

"As autoridades da Síria garantiram que estão dispostas a realizar rapidamente um referendo sobre a Constituição e a promover eleições", declarou Riabkov, em uma entrevista concedida durante uma viagem à Colômbia. "Por isso, a oposição tem a responsabilidade de buscar uma solução para deter o derramamento de sangue", mas se nega a negociar com o governo e exige sua saída, acrescentou.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, disse depois de se reunir em Damasco nesta semana com o presidente da Síria, Bashar al-Assad, que o regime sírio estava disposto a negociar com a oposição e que em breve fixará a data de um referendo sobre uma nova Constituição. A oposição considera que não é possível realizar negociações sem a saída de Bashar al-Assad. Já um plano da Liga Árabe para resolver a crise exige que Assad transfira seus poderes ao vice-presidente.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

AFP
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