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 Síria: duplo atentado mata 28 e deixa 235 feridos em Aleppo
10 de fevereiro de 2012 06h55 atualizado às 16h27

Multidão se reúne em frente à sede da polícia, em Aleppo, após o local ser atingido por uma explosão. Foto: Reuters

Multidão se reúne em frente à sede da polícia, em Aleppo, após o local ser atingido por uma explosão
Foto: Reuters

A onda de violência que afeta a Síria chegou nesta sexta-feira a Aleppo, segunda maior cidade do país, que até agora tinha permanecido relativamente tranquila, com um duplo atentado que deixou 28 mortos e 235 feridos.

Duas explosões consecutivas foram registradas antes da oração muçulmana da sexta-feira em uma sede da Agência de Inteligência da Polícia Militar, no bairro de Novo Aleppo, e em um edifício das forças antidistúrbios, situado na área de Al Sajur.

Embora por enquanto seja desconhecida a origem das explosões, a televisão oficial síria acusou "grupos terroristas" de estarem por trás do duplo atentado nessa localidade, situada 360 km ao norte de Damasco.

O Exército Livre Sírio (ELS), integrado por militares desertores, não demorou em apontar o regime do presidente da Síria, Bashar al Assad, como autor das explosões.

O número dois do ELS, Malek Kurdi, disse à agência EFE por telefone da Turquia que o regime preparou e executou o duplo atentado "para cobrir seus crimes em outras cidades".

Desta forma, o ELS tentou desvincular-se da autoria das explosões, apesar de ter reconhecido ser o responsável de um ataque com armas leves prévio às explosões.

"Grupos nossos atacaram estes dois edifícios, mas não estava previsto o uso de explosivos, mas o de armas leves e lança-granadas, porque não temos a logística para realizar um ataque dessa magnitude", frisou Kurdi.

A televisão oficial mostrou ao vivo os corpos mutilados de algumas vítimas, que jaziam no meio de veículos carbonizados e escombros nos locais das explosões. Os vidros de todas as janelas do edifício da Inteligência estavam quebrados.

Uma moradora de Aleppo, que se identificou como Mayada, afirmou à Efe que as explosões foram consecutivas e foram ouvidas em outros pontos da cidade. "As paredes e as camas tremeram. Minhas filhas começaram a chorar, foi aterrorizante", disse Mayada, mãe de três meninas, por telefone.

Por sua parte, outro morador da cidade, Suleiman al Halabi, dirigente da opositora Comissão Geral da Revolução Síria, detalhou que a explosão na sede da Inteligência aconteceu na parte da frente do imóvel, e que logo depois houve disparos na área.

O atentado de hoje se assemelha aos ocorridos nos últimos dois meses em Damasco. No dia 6 de janeiro, mais de 20 pessoas morreram em um atentado no bairro de Al Midan, duas semanas depois que duas explosões causaram 44 mortos em um ataque contra edifícios dos corpos da segurança e da inteligência sírias.

Nesses casos, as autoridades também responsabilizaram "grupos terroristas" pelos ataques. Apesar da ocorrência de alguns protestos nos últimos meses em Aleppo, a cidade permanecia relativamente alheia à violência.

"Embora os protestos tenham começado em Aleppo no último mês de agosto, foi muito difícil continuar porque os grupos de ''shabiha'' (pistoleiros do regime) controlam a cidade e reprimem as manifestações", destacou Halabi. Aleppo é a capital econômica da Síria e nela se concentram fábricas de eletrodomésticos, tecidos e indústrias farmacêuticas.

De acordo com Halabi, nos últimos meses esta localidade se transformou em refúgio de ativistas que escapam da repressão em outras cidades, embora sua mensagem não tenha sensibilizado a população de Aleppo pelas dificuldades que têm para difundi-la pelo controle das autoridades e pela falta de coesão social.

Nesse sentido, o opositor detalhou que em Aleppo vivem muitas pessoas procedentes de outras cidades que têm mais vínculos com seus lugares de origem. Enquanto isso, em outros pontos do país, pelo menos 35 pessoas morreram hoje pela repressão do regime, inclusive cinco menores e três mulheres, segundo os Comitês de Coordenação Local.

A organização opositora informou que as forças de leais a Assad continuaram os bombardeios em Homs, uma das principais fortificações da oposição, submetida a ataques do Exército há uma semana, onde pelo menos 11 pessoas morreram.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

Com informações da EFE e AFP

EFE
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  1. Multidão se reúne em frente à sede da polícia, em Aleppo, após o local ser atingido por uma explosão. Pelo menos vinte e cinco pessoas morreram e 175 ficaram feridas em um duplo ataque com carro-bomba que tinha como objetivo dois prédios das forças de segurança em Aleppo, segunda maior cidade da Síria, indicou o ministério sírio da Saúde. A ação foi inicialmente reivindicada pelo Exército Livre Sírio (ELS), integrado por militares desertores, mas eles depois acusaram o regime As

    Reuters
    Foto: Reuters

  2. Capacetes de policiais atingidos pela explosão são fotografados no chão após o atentado

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  3. Corpos de vítimas de ataque são cobertos por lençóis após uma das explosões

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  4. Sede da polícia em Aleppo foi gravemente afetada por explosão

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  5. Bombeiros inspecionam os destroços de prédio após o atentado

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  6. Multidão se reúne em frente a um dos prédios atingido no duplo atentado

    Foto: AP

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