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 China chama britânico de "irresponsável" por críticas a veto
08 de fevereiro de 2012 12h54 atualizado às 14h58

A China atacou nesta quarta-feira o chanceler britânico, William Hague, chamando-o de "extremamente irresponsável" por ter criticado o veto do governo chinês a uma resolução do Conselho de Segurança da ONU relativa à Síria.

O porta-voz da chancelaria chinesa, Liu Weimin, disse que Hague tem "motivos escusos" para suas críticas. Foram os mais incisivos comentários chineses desde o veto do fim de semana na ONU.

Países árabes e ocidentais ficaram indignados com a recusa da Rússia e da China à resolução que daria aval a um plano regional árabe para a Síria, o qual pedia, entre outros pontos, que o presidente sírio, Bashar al Assad, se afastasse do poder.

Hague disse depois da votação que Rússia e China haviam dado as costas ao mundo árabe. "Tais acusações são extremamente irresponsáveis, com motivos escusos, e os chineses as consideram totalmente inaceitáveis", disse Liu, respondendo a uma pergunta de um repórter do jornal estatal China Daily.

O porta-voz acrescentou que o veto chinês se baseou "nos princípios e na Carta da ONU, na tradicional política externa da China, e também na salvaguarda dos interesses fundamentais e de longo prazo do país".

Liu disse que a China continua comprometida com uma solução pacífica para a crise síria. Na terça-feira, o governo chinês anunciou o envio de um diplomata ao Oriente Médio para discutir a situação.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente
Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírios começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Crise de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, o as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.

Reuters
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