Palacio terá nesta quarta-feira uma audiência no Escritório de Asilo de Miami do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos às 8h locais (11h de Brasília). Ele irá acompanhado de sua esposa e de seus dois filhos - de 19 e 7 anos -, que também solicitarão asilo.
"Amanhã exporei meus argumentos e a documentação necessária aos funcionários do Departamento de Estado para solicitar o asilo neste país", explicou Palacio à Agência Efe nesta terça-feira.
O jornalista de 58 anos argumentará que teme ser perseguido em seu país devido a suas "opiniões políticas" e por "ser membro de um determinado grupo social", o de "jornalistas independentes no Equador".
A documentação que ele apresentará às autoridades americanas, à qual a Efe teve acesso, alega que Palacio é crítico ao governo do Equador e, sobretudo, ao presidente do país, Rafael Correa.
As quase 20 páginas de documentos argumentam que, no dia 24 de agosto de 2011, o jornalista se viu obrigado a sair de seu país para "escapar de uma campanha de assédio constante e perseguição" orquestrada por Correa, que, "durante mais de cinco anos", junto a "altos funcionários públicos do governo, publicamente denunciaram, atacaram e insultaram Palacio".
Os papéis fazem referências a organizações internacionais que condenaram o governo Correa pelo litígio na Justiça e alegam que o ex-editorialista não teve um processo judicial justo.
"Ao senhor Palacio, lhe foi negado um processo justo e a oportunidade de se defender no Equador, já que os juízes do caso eram alvo de influência política e corrupção. Os danos e condenação criminal buscados pelo presidente Correa são totalmente desproporcionais com relação ao suposto crime de difamação", acrescenta a documentação.
Finalmente, argumenta-se que "Palacio não pode voltar ao Equador porque seria imediatamente detido e preso por causa de um julgamento injusto contra ele".
Depois da audiência de quarta-feira, as autoridades americanas avaliarão se concedem ou não o asilo, algo que o interessado poderá apelar.
"Eu sou otimista, mas o processo pode levar meses", apontou o jornalista. Ele reconheceu que foi difícil para toda sua família tomar esta decisão.
Palacio, assim como três diretores do "El Universo", foram condenados a três anos de prisão e a uma multa de US$ 40 milhões de indenização pelo processo interposto por Correa a título pessoal - e não como presidente do Equador. A Justiça considerou injurioso um artigo de opinião divulgado pelo jornal.
O caso se refere a uma coluna publicada em fevereiro de 2011, quando Palacio afirmava que o líder tinha ordenado abrir "fogo à vontade" contra um hospital repleto de civis durante uma revolta de policiais.
Correa, ao tentar sufocar o protesto, estava no foco da manifestação, mas teve de permanecer por mais de nove horas em um hospital policial, do qual foi resgatado após uma operação militar em meio a um intenso tiroteio. EFE O caso gerou fortes críticas de grupos nacionais e internacionais de imprensa, que denunciam uma deterioração da liberdade de expressão no Equador desde que Correa assumiu o poder, em janeiro de 2007.

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