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 Alemanha lembra o Holocausto com discurso de sobrevivente
27 de janeiro de 2012 11h13 atualizado às 11h43

O crítico literário Marcel Reich-Ranicki, que sobreviveu ao Gueto de Varsóvia, discursa no Parlamento alemão, em Berlim. Foto: AFP

O crítico literário Marcel Reich-Ranicki, que sobreviveu ao Gueto de Varsóvia, discursa no Parlamento alemão, em Berlim
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Com o discurso de um sobrevivente do Gueto de Varsóvia, o crítico literário Marcel Reich-Ranicki, a Alemanha lembrou nesta sexta-feira o Holocausto judeu no 67º aniversário da libertação do campo de extermínio nazista de Auschwitz, realizada em 27 de janeiro de 1945. Diante do Parlamento germânico, na presença do presidente da Alemanha, Christian Wulff e da chanceler Angela Merkel, Reich-Ranicki lembrou dos tempos em que esteve preso no gueto da capital polonesa e das deportações em massa aos campos de extermínio.

Aos 91 anos, o crítico literário necessitou da ajuda do próprio presidente alemão e do presidente do Tribunal Constitucional, Andreas Vosskuhle, para chegar e, posteriormente, deixar o púlpito da câmara baixa, chamada de Bundestag. De origem polonesa, o sobrevivente do gueto de Varsóvia explicou que o que os nazistas qualificaram como "mudança dos judeus, na realidade, foi uma deportação de Varsóvia com um só fim: a morte".

Reich-Ranicki relatou que, como tradutor na administração do gueto, soube dos planos para as deportações dos judeus com antecedência, além de que os empregados e seus familiares do conselho judeu seriam excluídos dessa medida. Segundo o crítico literário, nesse mesmo dia ele se casou com sua namorada Teófila, com quem foi casado por 69 anos.

O discurso de Reich-Ranicki impressionou todos os presentes na Bundestag, incluindo várias classes de estudantes alemães, franceses e poloneses. Na abertura da sessão, o presidente da Bundestag, Norbert Lammert, honrou expressamente a aqueles cidadãos da Alemanha que enfrentam a extrema-direita e o neonazismo. "São pessoas que dão exemplo e mostram coragem", disse Lammert, o qual revolou que recentes estudos mostraram que 20% da população alemã possuem convicções "antissemitas latentes" e que esse tipo de pensamento não é aceitável neste país.

Desde 1996, o Parlamento alemão dedica esta data para lembrar a libertação de Auschwitz e lembrar a memória das vítimas do genocídio cometido pelos nazistas, não só contra os judeus, mas contra outras minorias étnicas e sociais como os ciganos e os homossexuais. Outros atos em memória das vítimas do Holocausto também foram realizados nesta manhã diante dos memoriais erguidos em diferentes campos de concentração nazista no território germânico, como o de Sachsenhausen e o de Ravensbrück.

EFE
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  1. O crítico literário alemão Marcel Reich-Ranicki, que nasceu na Polônia e sobreviveu ao Holocausto judeu na Segunda Guerra Mundial, discursa durante cerimônia na Câmara Baixa do Parlamento alemão em homenagem às vítimas do nazismo, em Berlim

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  2. Marcel Reich-Ranicki nasceu em 1920, mas mudou-se para a Alemanha em 1929. Ele foi deportado para a Polônia em 1938 pelo regime nazista. Após anos vivendo no Gueto de Varsóvia, onde os judeus eram obrigados a morar em condições precárias, Marcel Reich-Ranicki conseguiu escapar em 1943

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  3. Marcel Reich-Ranicki, 91 anos, é ajudado pelo presidente alemão, Christian Wulff (esq.), e pelo presidente do Tribunal Constitucional Federal do país, Andreas Vosskuhle (dir.) durante visita ao Parlamento

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  4. O Parlamento alemão lembrou nesta sexta-feira às vítimas do regime nazista do país

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  5. A chanceler alemã, Angela Merkel (segundo à esq.) também participou da cerimônia

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  6. O sobrevivente do Gueto de Varsóvia explicou que o que os nazistas qualificaram como "mudança dos judeus, na realidade, foi uma deportação de Varsóvia com um só fim: a morte"

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