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 França penaliza negação de genocídio armênio e enfurece Turquia
23 de janeiro de 2012 21h15 atualizado às 23h41

O Parlamento francês aprovou, na noite desta segunda-feira, o projeto de lei que penaliza a negação do genocídio armênio, após a última votação no Senado, provocando a ira das autoridades turcas. O Senado ratificou por 127 votos a favor e 86 contra o texto, que já tinha sido aprovado pela Assembleia nacional (Câmara baixa) em 22 de dezembro. O órgão aprovou o texto sem emendas, sendo assim definitivamente aprovado pelo Parlamento.

O projeto prevê um ano de prisão e multa de 45 mil euros caso haja questionamento ou minimização de um genocídio reconhecido pela lei francesa. Para o ministro armênio das Relações Exteriores, Edouard Nalbandian, a votação no Senado francês foi uma "iniciativa histórica que contribuirá para prevenir outros crimes contra a humanidade".

"Este dia será inscrito em letras de ouro, não só na história de amizade entre os povos armênio e francês, mas também nos anais da proteção dos direitos humanos no mundo", declarou o ministro, em comunicado. Esta votação "consolidará, ainda, os mecanismos existentes de prevenção de crimes contra a humanidade", acrescentou.

Dois genocídios, o dos judeus na Segunda Guerra Mundial e o dos armênios, são reconhecidos pela legislação francesa, mas só a negação do primeiro era punido até agora. A aprovação do texto pela Assembleia Nacional, em 22 de dezembro do ano passado, provocou uma crise diplomática sem precedentes entre França e Turquia. Na ocasião, a Turquia ameaçou com medidas de represália caso o texto fosse aprovado.

"A Turquia não duvidará rapidamente em aplicar como lhe parecer as medidas previstas" contra a França, destacou o ministério turco das Relações Exteriores em um comunicado, após a votação desta segunda-feira, em alusão a novas sanções contra Paris. No comunicado, a chancelaria turca "condenou firmemente" a votação, denunciando o que chamou de um "ato irresponsável".

Para o ministro turco da Justiça, Sadullah Ergin, a aprovação do texto foi uma falta de respeito da França com relação à Turquia. Foi uma "falta total de respeito" e uma "grande injustiça" com relação à Turquia, afirmou o ministro, cujo país sempre negou o genocídio.

Em declarações ao canal CNN Türk, Ergin afirmou, imediatamente após a votação, que para a Turquia a lei é "nula e impertinente". O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento turco, Volkan Bozkir, declarou em sua conta no Twitter que "a França abriu uma página escura de sua história", ao penalizar a negação do genocídio armênio sob o Império Otomano, de 1915 a 1917. O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, fará o discurso semanal, na terça-feira, perante seus deputados no Parlamento, e se espera que condene a votação francesa.

AFP
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