"Alertei particularmente sobre os altos níveis de violência registrados nos assentamentos. Percebemos um aumento dessa violência que impacta principalmente sobre os palestinos", disse Amos após se reunir com o Conselho de Segurança, num encontro que inicialmente teve a oposição dos Estados Unidos.
Ela informou aos 15 países-membros do órgão sobre a situação humanitária que atinge os palestinos na Cisjordânia devido aos assentamentos israelenses e também na Faixa de Gaza, como tinham pedido os diplomatas palestinos na ONU.
Amos expressou sua "preocupação" com a situação político-social em Jerusalém Oriental, onde, em sua opinião, os planos para erguer um novo assentamento isolaria a cidade da Cisjordânia. Ela advertiu ainda para as consequências humanitárias e econômicas das atividades israelenses sobre os palestinos.
"Me preocupa a falta de desenvolvimento econômico na Cisjordânia, mas também seu impacto no acesso dos civis a serviços básicos, como escolas e hospitais", ressaltou Amos, que também disse ter informado ao Conselho sobre as consequências humanitárias do bloqueio israelense à Faixa de Gaza.
Foram breves as declarações da subsecretária geral para Assuntos Humanitários à imprensa sobre o conteúdo da reunião com o Conselho de Segurança realizada a portas fechadas. Ela preferiu não dar muitos detalhes sobre suas preocupações ou sobre qual foi a reação dos 15 membros do órgão perante suas advertências.
O encontro foi solicitado pela delegação do Marrocos e teve o apoio da maioria dos membros. Os EUA se mostravam reticentes à reunião devido a um relatório de Valeria Amos focado apenas nas colônias judaicas, mas por fim deram seu aval, sob a condição de que o órgão não divulgasse nenhum comunicado ou declaração presidencial, conforme revelaram fontes diplomáticas.
"Toda a comunidade internacional considera a atividade dos assentamentos ilegal, e essa é a posição que se ouviu hoje no Conselho de Segurança", declarou Amos. "A ONU gostaria de ver israelenses e palestinos vivendo uns junto aos outros após negociar um acordo político, e não ver pessoas sofrendo ano após ano".
A delegação palestina junto à ONU elogiou a presença de Amos no Conselho de Segurança, já que há muito tempo pressionam para que o órgão condene os assentamentos israelenses, mas a objeção dos Estados Unidos sempre o impossibilitou.
"Todos sabemos que o Conselho de Segurança não vai adotar nenhum documento pela oposição de um país", indicou o representante palestino na ONU, Riyad Mansour, ao término da reunião, em clara referência aos EUA. "O maior obstáculo para as negociações é a política de assentamentos de Israel".
Mansour disse que há "um grande consenso" dentro do Conselho de Segurança de que "o principal empecilho para a paz são os assentamentos" e que "Israel deveria interromper toda sua atividade de assentamentos nos territórios ocupados, inclusive em Jerusalém Oriental", para que assim se possa reabrir "a porta das negociações".
Já o embaixador de Israel na ONU, Ron Prosor, criticou as acusações de Mansour e negou que essas atividades impeçam a obtenção da paz.
Além disso, ele lamentou que os palestinos "tenham conseguido que o Conselho de Segurança dê tanta atenção aos assentamentos quando há outros assuntos de grande urgência na agenda internacional, como a repressão na Síria e as dimensões do programa nuclear iraniano".
Em dezembro passado, os países do Conselho de Segurança, com a única exceção dos Estados Unidos, expressaram sua condenação separadamente aos assentamentos de Israel nos territórios ocupados e pediram ao Estado judaico que detenham essas atividades.
O principal órgão de decisão da ONU voltará a se ocupar do conflito entre palestinos e israelenses no próximo dia 24, quando realizará seu debate aberto mensal sobre a situação no Oriente Médio, do qual tampouco se espera um resultado concreto por enquanto, segundo fontes diplomáticas.

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