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 Fukushima não estava preparada para tsunami, diz relatório
02 de dezembro de 2011 09h21 atualizado às 10h30

O tsunami que atingiu a usina nuclear de Fukushima em março foi muito maior do que o complexo estava preparado para suportar, disse a operadora da usina nesta sexta-feira, depois de uma avaliação oficial do pior desastre nuclear em 25 anos no mundo.

Em março, um tsunami gigantesco provocado por um terremoto de magnitude 9,0 ultrapassou os muros de proteção da usina Fukushima Daiichi, localizada na costa do Pacífico, 240 km ao norte de Tóquio. A onda provocou o desligamento dos sistemas de resfriamento dos reatores e desencadeou uma crise nuclear.

"O tamanho do tsunami que enfrentamos foi muito além de nossas expectativas", disse a jornalistas o vice-presidente da Tokyo Electric Power (Tepco), Masao Yamazaki, no momento em que a operadora apresentava seu relatório interno de avaliação detalhando o que ocorreu na usina e as medidas tomadas para lidar com o desastre.

A Tepco, reiterando sua avaliação inicial, disse que o tsunami que atingiu a usina Fukushima Daiichi excedeu os 15 m de altura em algumas áreas, ultrapassando os muros de 10 metros.

"Como foi dito no relatório de avaliação, as medidas de precaução que havíamos preparado não foram suficientes e, como resultado, houve vazamento de radiação. Pedimos sinceras desculpas por causar esse grave acidente", disse Yamazaki.

Alguns acionistas da Tepco abriram processos contra a companhia elétrica em novembro, acusando a empresa de não ter aumentado a altura dos muros de contenção apesar de ter simulado, em 2008, um tsunami que excederia os 15 metros, segundo a mídia japonesa.

Uma comissão externa que checou a avaliação da Tepco disse que a escala do desastre de março foi além do que a empresa e mesmo o governo haviam antecipado.

"Podemos dizer que os terremotos e tsunamis precisam ser considerados mais seriamente, e que o governo e especialistas do setor também precisam fazer uma auto-avaliação rigorosa", disse a comissão, acrescentando que a Tepco pode ter sido complacente ao assumir que tinha mecanismos de proteção suficientes.

Reuters
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