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 Obras em áreas costeiras tornaram tsunami mais destrutivo
09 de junho de 2005 17h03 atualizado às 17h19

A retirada de corais, o aplainamento de terrenos e outras obras realizadas à beira-mar no Sri Lanka ajudaram o tsunami de dezembro passado a avançar ainda mais no país, provocando grandes danos, afirmaram hoje cientistas.

Os pesquisadores recomendaram que as autoridades e os construtores das áreas ameaçadas por tsunamis sejam cuidadosos.

"As conclusões desse estudo valem para qualquer outro tsunami", disse Harinda Joseph Fernando, da Universidade do Estado do Arizona (EUA), em um comunicado.

"Gostaríamos que esse relatório servisse de alerta para que os governos sejam mais cuidadosos ao permitir a destruição de corais e de outras defesas naturais das praias."

O tsunami de 26 de dezembro matou mais de 176 mil pessoas e deixou cerca de 50 mil desaparecidas e centenas de milhares sem casa em vários países banhados pelo oceano Índico, entre os quais a Indonésia, o Sri Lanka, a Índia e a Tailândia.

O maremoto foi provocado por um grande terremoto ocorrido debaixo do oceano, nas proximidades da ilha indonésia de Sumatra ¿ uma área vulnerável a abalos sísmicos do tipo.

O pesquisador Fernando e seus colegas visitaram o Sri Lanka e descobriram que a costa leste do país, diretamente atingida pela onda, havia registrado enchentes de 9 a 10,5 metros.

"Notamos várias situações em que obras modificaram o comportamento do tsunami", escreveram os pesquisadores em um artigo publicado pela revista Science.

"O Sumadra Devi, um trem de passageiros vindo de Colombo (capital), foi descarrilhado e revirado pelo tsunami, matando mais de mil pessoas. Em uma área próxima, havia ocorrido a retirada de corais para a construção de instalações turísticas", acrescentaram.

"Um hotel, com o fim de melhorar a vista panorâmica, aplainou algumas dunas que ficavam na frente dele. O hotel foi destruído pelo tsunami", afirmaram os pesquisadores.

Áreas vizinhas onde as dunas tinham sido preservadas ficaram intactas ou sofreram poucos danos.

Reuters
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