Notícias » Mundo » Mundo

 Publicação da AIEA sobre Irã gera grande expectativa
06 de novembro de 2011 13h46 atualizado às 14h00

Poucas vezes um informe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foi tão esperado quanto o que será publicado na próxima terça-feira sobre o controverso programa nuclear iraniano, em um contexto de ameaça israelense de intervenção militar contra o Irã.

Segundo fontes diplomáticas ocidentais, a AIEA publicará informações que apoiarão as suspeitas ocidentais quanto ao caráter militar do programa nuclear iraniano, apesar das negativas de Teerã, que garante que seu objetivo é puramente civil.

Além disso, a AIEA criticará pela enésima vez "a ausência de cooperação" por parte das autoridades iranianas e o "descumprimento de suas obrigações" como membro da agência, sobretudo por continuar com o enriquecimento de urânio que pode, com o tempo, proporcionar ao país uma bomba atômica, apesar do mandato da ONU de pôr fim a este projeto.

As mesmas fontes ressaltam, no entanto, que o diretor-geral da AIEA, o japonês Yukiya Amano, deve se abster de se manifestar claramente em um ou outro sentido. O informe será submetido ao conselho de 35 governadores da AIEA em uma reunião que será realizada nos dias 17 e 18 de novembro na sede do organismo, em Viena.

Além dos elementos fornecidos pelos serviços secretos ocidentais, a agência dispõe de fotos realizadas por satélite que confirmam a presença, na base militar de Parshin, a 30 km de Teerã, do que poderia ser uma instalação nuclear, segundo as fontes.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, já rejeitou de antemão o informe de uma AIEA "cada vez mais politizada" e "sob a crescente influência dos Estados Unidos". "As supostas revelações" do documento se baseiam em fatos "falsos", segundo ele.

China e Rússia, alarmados pelas informações adiantadas do informe da AIEA, tentam dissuadir desde o fim de outubro Yukiya Amano para que não apresente um informe muito crítico para Teerã. As negociações com o Irã estão em ponto morto: as mediações russa e turca fracassaram e as discussões entre o Irã e o grupo 5+1 (formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - Rússia, China, Estados Unidos, França e Reino Unido - e pela Alemanha) encontram-se em um beco sem saída.

A chefe da diplomacia europeia, a britânica Catherine Ashton, enviou em meados de outubro uma carta a Teerã para retomar o diálogo, mas ainda espera a resposta.

Neste contexto, foi revitalizado em Israel o debate sobre um eventual ataque militar preventivo contra o Irã, coordenado ou não com Estados Unidos e Reino Unido. O presidente israelense, Shimon Peres, considerado um "moderado", diferentemente do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, aumentou a pressão neste domingo ao considerar que "a possibilidade de um ataque militar contra o Irã parece mais próxima que a opção diplomática".

A França, embora crítica ao programa nuclear iraniano, afirmou que um ataque israelense "pode criar uma situação totalmente desestabilizadora para a região", afirmou o chefe da diplomacia, Alain Juppé, que se mostrou a favor de endurecer as sanções contra Teerã.

No conselho de governadores, a AIEA terá duas opções: apelar novamente ao Conselho de Segurança da ONU para que imponha novas sanções econômicas ao Irã pela quinta vez desde 2007 ou, pelo contrário, dar um novo prazo a Teerã, até a próxima reunião de governadores, em março, para "cooperar plenamente".

AFP
AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.