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 Índico deve ter rede provisória de alerta de tsunami até outubro
19 de maio de 2005 15h59

Um sistema provisório de alerta de tsunami deve estar funcionando em outubro, resultado do aperfeiçoamento da rede já existente de medidores de maré, disse hoje o chefe do órgão oceanográfico da ONU.

Até julho do ano que vem, o oceano Índico deve estar equipado com uma rede de alta tecnologia de sensores de onda e pressão, que enviarão dados para satélites, que por sua vez darão o alerta a uma rede de centros de alerta de tsunami, disse Patricio Bernal, chefe da Comissão Intergovernamental Oceanográfica da Unesco.

O oceano Índico já tem 57 medidores na superfície marítima, que enviam informações sobre clima, mudanças de maré e outros dados científicos de hora em hora. A comissão pretende aperfeiçoar entre 21 e 23 deles para que eles possam detectar um potencial tsunami.

"Pretendemos fazer isso nos próximos seis meses, até outubro, com as bóias enviando informação quase em tempo real", disse Bernal à Reuters numa entrevista por telefone desde Paris.

"Isso vai nos permitir confirmar a presença ou a ausência de um tsunami", afirmou.

As informações captadas pelas bóias seriam enviadas a um satélite, que as transmitiria para os centros de alerta de tsunami que já existem no oceano Pacífico - no Japão e no Havaí. Esses centros então seriam responsáveis por alertar os países do oceano Índico.

Os medidores avançados ficariam na costa noroeste de Sumatra, de Diego Garcia e das Ilhas Maurício. "Temos uma rede razoável de detecção de terremotos. Mas é importante pôr em funcionamento uma rede para detectar tsunamis - 93% dos terremotos não causam tsunamis".

Não havia nenhum sistema de alerta de tsunami quando o mais forte terremoto em 40 anos sacudiu o oceano perto da costa de Sumatra, no dia 26 de dezembro, gerando ondas gigantescas que mataram cerca de 128 mil pessoas em 11 países do oceano Índico.

O segundo estágio da rede de alerta deve estar concluído até julho e envolve a instalação de uma série de medidores de pressão no fundo do mar, que detectariam com mais precisão a aproximação de uma onda gigante.

Pelo menos cinco países da região - Tailândia, Índia, Indonésia, Austrália e Malásia - propuseram sediar um centro de alerta de tsunami. O sistema é caro e de manutenção difícil, por isso vários países, como Alemanha e Estados Unidos, ofereceram ajuda.

Além disso, os países estão agindo individualmente para instalar sistemas de alerta. É o caso da Indonésia, que está investindo num equipamento de custo inicial de US$ 120 milhões, e da Índia, que pretende instalar um sistema até setembro de 2007, ao custo de US$ 2,3 bilhões.

A Tailândia, que no mês passado fez uma simulação de evacuação de emergência, está instalando bóias de pressão e construindo torres de alto-falantes em seus resorts turísticos. Elas tocarão sirenes e farão alertas de tsunami em seis idiomas.

Segundo Bernal, o objetivo é ter centros de alerta de tsunami em 27 países, com centros regionais na Tailândia, na Indonésia, na Austrália e talvez na Índia.

Ele admitiu que a política e a geopolítica influenciam nos esforços, porque alguns países temem que dados estratégicos militares, como o deslocamento de submarinos, fiquem expostos.

O maior desafio, disse ele, é levar o alerta às regiões mais pobres, sem acesso à tecnologia moderna. "Sem isso não se tem um sistema, e sim um meio-sistema", afirmou.

Reuters
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