Até julho do ano que vem, o oceano Índico deve estar equipado com uma rede de alta tecnologia de sensores de onda e pressão, que enviarão dados para satélites, que por sua vez darão o alerta a uma rede de centros de alerta de tsunami, disse Patricio Bernal, chefe da Comissão Intergovernamental Oceanográfica da Unesco.
O oceano Índico já tem 57 medidores na superfície marítima, que enviam informações sobre clima, mudanças de maré e outros dados científicos de hora em hora. A comissão pretende aperfeiçoar entre 21 e 23 deles para que eles possam detectar um potencial tsunami.
"Pretendemos fazer isso nos próximos seis meses, até outubro, com as bóias enviando informação quase em tempo real", disse Bernal à Reuters numa entrevista por telefone desde Paris.
"Isso vai nos permitir confirmar a presença ou a ausência de um tsunami", afirmou.
As informações captadas pelas bóias seriam enviadas a um satélite, que as transmitiria para os centros de alerta de tsunami que já existem no oceano Pacífico - no Japão e no Havaí. Esses centros então seriam responsáveis por alertar os países do oceano Índico.
Os medidores avançados ficariam na costa noroeste de Sumatra, de Diego Garcia e das Ilhas Maurício. "Temos uma rede razoável de detecção de terremotos. Mas é importante pôr em funcionamento uma rede para detectar tsunamis - 93% dos terremotos não causam tsunamis".
Não havia nenhum sistema de alerta de tsunami quando o mais forte terremoto em 40 anos sacudiu o oceano perto da costa de Sumatra, no dia 26 de dezembro, gerando ondas gigantescas que mataram cerca de 128 mil pessoas em 11 países do oceano Índico.
O segundo estágio da rede de alerta deve estar concluído até julho e envolve a instalação de uma série de medidores de pressão no fundo do mar, que detectariam com mais precisão a aproximação de uma onda gigante.
Pelo menos cinco países da região - Tailândia, Índia, Indonésia, Austrália e Malásia - propuseram sediar um centro de alerta de tsunami. O sistema é caro e de manutenção difícil, por isso vários países, como Alemanha e Estados Unidos, ofereceram ajuda.
Além disso, os países estão agindo individualmente para instalar sistemas de alerta. É o caso da Indonésia, que está investindo num equipamento de custo inicial de US$ 120 milhões, e da Índia, que pretende instalar um sistema até setembro de 2007, ao custo de US$ 2,3 bilhões.
A Tailândia, que no mês passado fez uma simulação de evacuação de emergência, está instalando bóias de pressão e construindo torres de alto-falantes em seus resorts turísticos. Elas tocarão sirenes e farão alertas de tsunami em seis idiomas.
Segundo Bernal, o objetivo é ter centros de alerta de tsunami em 27 países, com centros regionais na Tailândia, na Indonésia, na Austrália e talvez na Índia.
Ele admitiu que a política e a geopolítica influenciam nos esforços, porque alguns países temem que dados estratégicos militares, como o deslocamento de submarinos, fiquem expostos.
O maior desafio, disse ele, é levar o alerta às regiões mais pobres, sem acesso à tecnologia moderna. "Sem isso não se tem um sistema, e sim um meio-sistema", afirmou.

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