Essas oscilações foram registradas por mais de 400 sismógrafos no mundo todo dentro dos primeiros 21 minutos. O movimento que causaram deslocou estruturas rochosas de mais de 20 metros e a mais de 1,3 mil quilômetros de distância.
O maremoto, ou tsunami, que se seguiu, atingiu as costas de vários países do oceano Índico, incluindo Sumatra, Malásia, Índia e Sri Lanka, matando mais de 300 mil pessoas no dia 26 de dezembro do ano passado.
Segundo Jeffrey Park, do Departamento de Geologia e Geofísica da Universidade de Yale, as oscilações permitiram aos cientistas estudar as características do terremoto, assim como as da própria Terra.
"É como quando batemos em uma melancia para ver se está madura.
Os tons naturais produzidos pelo terremoto nos sismógrafos nos ajudam a detectar as propriedades do manto e do núcleo terrestres", explicou Park.
A primeira vez em que foram notadas oscilações provocadas na Terra por um terremoto estão nos registros sismográficos deixados pelo tremor que atingiu o sul do Chile em 22 de maio de 1960.
Park acrescentou que agora, com dados mais precisos, o terremoto de dezembro poderia ajudar a resolver várias controvérsias sobre as placas tectônicas sob a crosta da África, ou se os cristais microscópicos de ferro puro do interior se alinham com seu eixo de rotação.
Segundo o cientista, "os danos terríveis e a perda de vidas provocados por este terremoto apequenam o observador mais frio, como ocorre com a forte probabilidade de que um ou mais terremotos (similares) ocorram neste século".
No outro estudo publicado pela Science, cientistas do Instituto Wadia de Geologia do Himaláia e do Instituto Geológico dos EUA informaram que o terremoto submarino de dezembro foi muito mais violento e lento do que se achava.
Mediante dados proporcionados pelas estações do Sistema de Posicionamento Global (GPS), os cientistas determinaram que a magnitude foi de 9,15 graus na escala Richter e não de 9,0, como acreditava-se até agora.
Além disso, grande parte do movimento ocorrido na falha do tremor continuou durante um tempo que oscila entre os 30 minutos e as três horas após o primeiro abalo.
Segundo Roland Bürgmann, professor de Ciências Planetárias e da Terra na Universidade da Califórnia, isto poderia explicar a razão pela qual o dano estrutural do terremoto foi menor do que o esperado.
Também explicaria porque em algumas partes o abalo sísmico foi registrado depois do maremoto e mais de meia hora após o primeiro tremor.
Segundo os cientistas, o deslocamento médio da falha ao longo de seus 1,3 mil quilômetros foi de pelo menos 5 metros, embora no extremo sul tenha chegado a ser de quase 20 metros.
Bürgmann disse que esses deslocamentos horizontais causaram uma recomposição na superfície terrestre, o que produziu uma deformação que pode ser medida a 4.500 quilômetros de distância.
"A terra está vibrando como um sino, quase seis meses depois do terremoto", explicou Bürgmann.
"Até agora, nunca tínhamos podido estudar um abalo sísmico desta magnitude, que registra uma grande distorção terrestre. Normalmente vemos uma formação da superfície a umas centenas de quilômetros", disse.
"A deformação foi verificada a 4,5 mil quilômetros de distância e foi cinco ou seis vezes maior do que a registrada por outros movimentos telúricos", afirmou o pesquisador.

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