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 Relatório descarta infração de marinheiros uruguaios no Haiti
08 de setembro de 2011 11h51 atualizado às 13h10

Os primeiros resultados das investigações feitas pelo Uruguai sobre a humilhação à qual foi submetido um jovem haitiano por marinheiros uruguaios, gravada em vídeo e divulgada na internet, descartam a infração, mas reconhece que houve "má conduta" dos militares, de acordo com a imprensa local.

O jornal El Observador divulgou nesta quinta-feira detalhes das investigações feitas pela Marinha e pelo Ministério da Defesa uruguaios no Haiti, combinados a dados coletados pela ONU.

O vazamento das informações aconteceu porque a diretora-geral de Serviços Sociais do Ministério da Defesa, Gabriela González, apresentou detalhes desses relatórios na Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados na terça-feira, quando o ministro Eleuterio Fernández Huidobro foi convocado para explicar os acontecimentos.

O documento feito pela Marinha afirma que "usando a análise do vídeo como evidência, é descartada a possibilidade de intenção de abuso sexual", apesar de "os marinheiros serem responsáveis por atos de má conduta".

O relatório contém depoimentos dos próprios marinheiros, que argumentaram ter tentado dar uma "lição" ao jovem haitiano de 18 anos, usando "a linguagem ofensiva que o cidadão local usou contra suas famílias".

O fato é apresentado como uma "brincadeira". De acordo com o relatório, o agredido tinha "uma relação de vizinhança e relativa amizade" com os militares que aparecem no vídeo.

"O acontecimento não envolveu atos sexuais nem aberrantes", conclui o documento.

Investigadores da ONU, aparentemente militares guatemaltecos, foram à casa do haitiano supostamente abusado e verificaram que ele estava "bem" e "jamais foi ao hospital local por nenhuma doença". O relatório acrescenta que quando a vítima deu suas declarações, havia um jornalista na sua casa, que foi quem denunciou a existência do vídeo.

"Os representantes da Polícia das Nações Unidas finalizaram suas investigações concluindo que não havia delito", diz o documento. Já o Ministério da Defesa assegura que "não existem indícios de abuso sexual" e relata que "houve uso da força física com o único propósito de fazer uma piada".

Afirma que a relação dos militares com o haitiano "continuou normal e inalterada depois do fato, até o vídeo ganhar notoriedade pública". Entretanto, o Ministério admite que houve "conduta contrária à ética e moral da Marinha" e recomenda "repatriar" os militares.

Já a Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos do Haiti defendeu na terça-feira que o jovem foi abusado sexualmente duas vezes, além de ter sido agredido. O fato aconteceu no dia 28 de julho, foi gravado com a câmera de celular e parte das imagens divulgadas na internet.

O Uruguai pediu desculpas públicas ao Haiti, e o presidente José Mujica enviou uma mensagem a seu colega caribenho, Michel Martelly, prometendo investigar o assunto "até as últimas consequências".

Esta quinta-feira, o futuro da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), à qual pertenciam os marinheiros investigados, será analisado em Montevidéu, durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores e de Defesa dos países que participantes.

Atualmente, o Uruguai tem 1.102 soldados no Haiti, 43 são mulheres.

EFE
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