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Espionagens dos EUA e Reino Unido ajudaram Kadafi, diz ONG

03 de setembro de 2011 15h04 atualizado às 16h36

Documentos encontrados no escritório abandonado do chefe da inteligência de Muammar Kadafi indicam que as agências de espionagem britânica e dos EUA ajudaram o líder deposto a perseguir dissidentes líbios, declarou a Human Rights Watch (HRW) neste sábado. Os documentos foram descobertos pela organização de direitos humanos nos escritórios abandonados do ex-chefe de espionagem e ministro do Exterior líbio Moussa Koussa.

O grupo disse que descobriu centenas de cartas entre a CIA, o M16 e Koussa, que está agora exilado em Londres. Cartas da CIA começavam com: "Caro Moussa" e eram assinadas informalmente, apenas com os primeiros nomes de funcionários da CIA, segundo o HRW.

O atual comandante militar de Trípoli, do governo provisório da Líbia, Abdel Hakim Belhadj, estava entre os dissidentes que foram capturados pela CIA e enviados para a Líbia, de acordo com o HRW. "Entre os arquivos descobertos no escritório de Moussa Koussa, há um fax da CIA datado de 2004, em que a agência americana informa ao governo líbio que eles estão prontos para capturar e entregar Belhadj", disse à Reuters Peter Bouckaert, da HRW, que estava com o grupo que encontrou os documentos. "Essa operação de fato aconteceu. Ele foi capturado pela CIA na Ásia e colocado em um voo secreto para a Líbia, onde foi interrogado e torturado pelos serviços de segurança da Líbia."

Belhadj já disse que foi torturado por agentes da CIA, antes de ser transferido para a Líbia, onde ele disse que também foi torturado na famosa prisão Abu Salim, em Trípoli. A CIA não fez nenhum comentário específico sobre o relatório da HRW. Um porta-voz do governo britânico disse que à Reuters que a Grã-Bretanha "não fala sobre assuntos ligados à inteligência".

Bouckaert mostrou à Reuters fotos de vários documentos e de cartas, em seu computador, que ele disse que eram da CIA para Koussa e que eram assinadas por "Steve". Ele também mostrou fotografias que ele disse que eram de cartas do MI6 dando informações para a inteligência da Líbia, sobre dissidentes líbios na Grã-Bretanha.

"Nossa preocupação é que, quando essas pessoas foram entregues à segurança líbia, elas foram torturados e a CIA sabia que isso aconteceria quando eles entregassem pessoas como Abdel Hakim para os serviço de segurança da Líbia", disse Bouckaert.

Documentos mais recentes mostram que, depois que a guerra começou, há seis meses, a Líbia procurou um antigo grupo rebelde do Estado separatista da Somália Puntland, a Frente de Salvação da Somália, pedindo que eles enviassem 10.000 combatentes para Trípoli, para ajudar a defender Kadafi.

Reuters
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