inclusão de arquivo javascript

 
 

EUA enviaram suspeitos de terrorismo à Líbia, diz jornal

03 de setembro de 2011 12h20 atualizado às 12h50

Os Estados Unidos enviaram suspeitos de terrorismo para a Líbia para que fossem interrogados nesse país, segundo documentos encontrados no escritório particular de Mussa Kussa, ex-braço direito de Muammar Kadafi, aos quais teve acesso o jornal The New York Times. Esses documentos sugerem que o Governo americano enviou suspeitos de terrorismo "pelo menos em oito ocasiões" à Líbia.

Em alguns desses arquivos é mencionada a detenção de um suspeito em um "país amigo" e é sugerido que um avião poderia ser enviado para apanhá-lo e trasladá-lo à Líbia. Um dos documentos inclui uma lista de 89 perguntas para que os líbios façam ao suspeito, segundo o jornal.

Em 2003, a Líbia renunciou a seu programa de armas de destruição em massa para ser reintegrada à comunidade internacional e no ano seguinte participou da convenção para a proibição deste tipo de artefatos. Desde então, a CIA (agência de inteligência americana) e as de outros países ocidentais começaram a cooperar com o regime de Kadafi e, segundo esses documentos, essa colaboração foi muito mais estreita do que se imaginava.

De acordo com o The New York Times, os documentos foram descobertos nesta sexta-feira por jornalistas e membros da organização Human Rights Watch nos escritórios de Kusa, ex-ministro de Relações Exteriores de Kadafi que fugiu ao Reino Unido após a revolução que começou há meses na Líbia.

Os documentos abrangem o período entre 2002 e 2007, mas a maioria é dos finais de 2003 e 2004, quando Kusa era o chefe da Organização de Segurança Externa (o serviço de espionagem líbio).

Além disso, o jornal britânico The Independent disse ter tido acesso a esses arquivos, que revelam que as autoridades do Reino Unido facilitaram ao regime líbio informação sobre opositores. Os funcionários britânicos teriam ajudado a redigir a minuta de um discurso para Kadafi quando decidiu há alguns anos abandonar o apoio a grupos terroristas e colaborar com Ocidente.

Outros documentos revelam que EUA e Reino Unido atuaram em nome da Líbia nas negociações deste país com a Agência Internacional de Energia Atômica.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.