Após sucessivos adiamentos, uma cúpula da União Africana obteve nesta quinta-feira a promessa de US$ 351 milhões para ajudar no combate à fome no nordeste do continente, mas ativistas questionaram essa cifra. Do total anunciado pelo presidente da Comissão da UA, Jean Ping, 300 milhões vieram do Banco Africano de Desenvolvimento. Essa quantia deverá ser gasta ao longo de quatro anos, sem cobrir o montante de 1,4 bilhão de dólares que grupos humanitários dizem que seria necessário em caráter emergencial.
Cerca de 12 milhões de pessoas precisam de assistência alimentar urgente no chamado "triângulo da morte", que abrange Quênia, Etiópia e Somália, onde foi declarada situação de fome generalizada em cinco regiões.
"Isso é o que prometemos hoje", disse Ping. "Trata-se de dinheiro novo, e é exclusivamente africano."
Dos restantes 51 milhões de dólares anunciados, grande parte parece se referir a donativos prometidos anteriormente. Menos de metade dos 54 países da UA fizeram ofertas.
"Contamos com 46 milhões de promessas em dinheiro", disse à Reuters Irungu Houghton, diretor de políticas pan-africanas da entidade humanitária Oxfam. "Apenas 21 países de um total de 54 fizeram promessas, e, dos 46 milhões de dólares, 20 milhões vieram de três Estados - Argélia, Angola e Egito."
Ativistas criticaram especialmente a Nigéria e a África do Sul, países relativamente ricos para os parâmetros africanos. A Nigéria ofereceu apenas 2 milhões de dólares, e a oferta sul-africana, de 10 milhões, foi questionada.
"No caso da África do Sul, eles na verdade parecem que contribuíram com cerca de 1 milhão de dólares, se você reduzir ao valor efetivo", disse Houghton.

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