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Após entrada de rebeldes, Trípoli registra 4 fortes explosões

20 de agosto de 2011 23h32 atualizado em 21 de agosto de 2011 às 00h16

Pessoas assistem à transmissão das recentes notícias sobre o levante contra Muammar Kadafi em Benghazi, pela rede Al Jazeera. Foto: AFP

Pessoas assistem à transmissão das recentes notícias sobre o levante contra Muammar Kadafi em Benghazi, pela rede Al Jazeera
Foto: AFP

Quatro fortes explosões sacudiram Trípoli no início da manhã de domingo, no momento em que vários bairros eram palcos de violentos confrontos entre insurgentes e as forças leais ao regime do coronel Muammar Kadafi. As explosões foram ouvidas pouco depois das 4h (23h deste sábado em Brasília), quando o centro da capital era sobrevoado por aviões, constatou um jornalista da AFP que não conseguiu determinar no momento quais tinham sido os alvos atingidos.

Várias explosões e intensas trocas de tiros também foram ouvidas na noite de sábado para domingo em Trípoli, enquanto moradores indicaram à AFP que os "enfrentamentos" estavam sendo travados em alguns bairros da capital. O porta-voz do governo líbio, Mussa Ibrahim, confirmou mais cedo apenas "pequenos confrontos" em bairros como Tajura, Sug Jomaa e Ben Achur, próximos ao centro da capital.

Ibrahim indicou que os voluntários e as forças líbias saíram à caça dos insurgentes e que enfrentamentos ocorreram somente durante meia hora. "A situação está sob controle", disse, em declarações difundidas pela televisão oficial líbia. Entretanto, tiroteios intensos ainda podiam ser ouvidos na capital às 4h30 (22h30 de Brasília).

O líder líbio Muammar Kadafi também se pronunciou neste domingo e parabenizou, em um áudio transmitido pela televisão estatal, seus apoiadores por repelirem o ataque de "ratos" rebeldes na capital, Trípoli, e acusou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de tentar roubar o petróleo do país. No pronunciamento, ele ainda afirmou que os rebeldes querem "a destruição do povo líbio".

Na mensagem, ele pediu a seus partidários que "marchem aos milhões" para pôr fim à "farsa" do conflito que assola o país desde fevereiro. "É preciso acabar com esta farsa. Vocês devem marchar aos milhões para libertar as cidades destruídas (controladas pela rebelião)", disse o coronel. Kadafi afirmou ainda que os rebeldes "profanam as mesquitas" e são "agentes de Sarkozy". "Mas o povo líbio não permitirá que a França tome seu petróleo ou deixe a Líbia para os traidores".

Na sexta-feira, a emissora de televisão NBC, citando funcionários do governo dos Estados Unidos, disse que o líder prepara-se para fugir de seu país nos próximos dias. As fontes afirmaram "os relatórios dos serviços de inteligência indicam que Kadafi está fazendo planos para deixar a Líbia com sua família".

Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.

A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.

AFP
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