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Enterro de chefe militar rebelde reúne mil pessoas na Líbia

29 de julho de 2011 16h04 atualizado às 17h09

Mais de mil pessoas participaram nesta sexta-feira do enterro do chefe do Estado-Maior dos rebeldes líbios, Abdel Fatah Younis, enquanto continuam várias dúvidas sobre sua morte na quinta-feira por homens armados. Um dia após sua morte, o Conselho Nacional Transitório (CNT), principal órgão insurgente, continua sem dar detalhes sobre o assassinato ou sobre a identidade dos assassinos de Younis.

Por sua vez, os homens mais próximos a Younis não duvidam em apontar a brigada rebelde Abu Obaida al Yara, comandada por Ahmed Abu Jatala, como possível grupo envolvido em sua morte. O guarda-costas de Younis, Abdullah Baio assegurou que tal brigada tinha sido a encarregada de deter o chefe do Estado-Maior na frente de Brega, na quarta-feira passada.

Segundo explicou na quinta-feira o presidente do CNT, Mustafa Abdel Yalil, após anunciar a morte de Younis, o general tinha sido convocado pelas autoridades para responder sobre assuntos relacionados com questões militares. "Younis, junto com vários de seus homens, voltou então a Benghazi, mas antes de chegar pararam em uma base militar para interrogá-lo", disse Baio, que explicou que uma vez no quartel que o tinham detido ameaçaram o general e exigiram, dele e de seus homens, que entregassem as armas.

Baio, que não viajou com Younis de Brega, acrescentou que o general "ordenou a seus homens se renderem para conservar suas vidas, então foram desarmados e inclusive lhes tiraram as botas", relatou o guarda-costas, que comentou que então colocaram Younis em um carro e o levaram. A partir desse momento se perdeu a pista do chefe das Forças Armadas rebeldes, até que foi encontrado morto com marcas de bala e queimaduras, a dois quilômetros de sua casa.

Horas antes, o presidente do CNT tinha anunciado sua morte, assim como que o líder do grupo tinha sido detido. No entanto, não deu nenhum detalhe sobre a identidade de quem o deteve nem sobre o que aconteceu desde sua detenção até sua morte. Além disso, embora tenha feito referências a Kadafi, não fez nenhuma acusação direta contra o líder líbio ou seu regime, do qual Younis tinha feito parte ao mais alto nível como ministro do Interior.

Por sua vez, o comandante de campo da Brigada 17 de Fevereiro Jawad al Badin, confirmou por telefone desde a frente de Brega que quem deteve Younis levava uma ordem assinada pelo vice-ministro de Exteriores do CNT, Ali al Isawi. Além disso, Badin assegurou que a pessoa detida era Abu Jatala, embora tenha dito que ele tinha se entregado.

Também declarou que a brigada Abu Obaida al Yara não era um corpo de combate dependente do Ministério da Defesa ou sob a autoridade do CNT, mas era relacionada com os serviços de inteligência, extremo que não pôde ser contrastado com responsáveis do CNT. Badin também insistiu em que sua brigada não tem qualquer relação com a morte do general, depois que na quinta-feira alguns dos homens de Younis o acusaram de mantê-lo retido em sua base de Benghazi.

"Estamos profundamente abatidos com o ocorrido, era nosso líder. Apoiamos sua família e sua tribo e cumpriremos sua missão e seu sonho", disse Badin, explicando que os homens de Younis que ontem abandonaram suas posições na frente após seu desaparecimento tinham sido convencidos a voltarem a tomar seus postos. A falta de informação e as notícias contraditórias dispararam a tensão em Benghazi, como na noite de quinta-feira ficou refletido no ataque sem vítimas de homens fiéis de Younis contra o hotel onde Abdul Yalil anunciou a morte do chefe do Estado-Maior.

Rumores que incluem os relacionados com a suposta vinculação de Younis com o regime de Kadafi, ao qual serviu como ministro do Interior até o dia 22 de fevereiro, 7 dias depois do levante popular, anunciou sua união às fileiras rebeldes. Em artigo de opinião publicado no site Al Manar, o escritor Ibrahim Mohammed Taher, assegura que o fato de Abbul Yalil não ter acusado diretamente Kadafi "levanta a dúvida sobre a possibilidade de que Younis tenha sido assassinado por rebeldes ou um grupo armado independente".

Enquanto continuam as investigações, ao grito de "o sangue dos mártires não será em vão" mais de mil pessoas enterraram Younis e os dois oficiais que morreram com ele.

EFE
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