Helicóptero foi utilizado durante teste contra tsunami
Foto: Reuters
"Abandonem a área imediatamente e dirijam-se para um terreno elevado", disse uma voz no alto-falante instalado na torre de alerta da praia de Patong, duramente atingida pelo tsunami de 26 de dezembro, que matou quase 5,4 mil pessoas na Tailândia, entre as quais 1.953 estrangeiros.
Uma leva de voluntários usando uma camiseta com os dizeres "Treinamento de Retirada do Tsunami" cumpriu a ordem rapidamente. Passaram correndo em frente aos bares, casas de massagem e lojas de DVDs piratas, sob forte calor. Alguns nativos e turistas sorriam para as câmeras de TV.
Com seu filho Filip, 4 anos, no colo, Karl Johan Aberg olhava a tudo atônito, afirmando ter caído no meio do treinamento por acaso.
"Esta é a nossa sexta vez na Tailândia", disse o sueco. "Temos amigos que perderam uma irmã, o marido dela e o filho de oito meses no tsunami... Não dá para ficar seguro em lugar nenhum."
Entre os países que não foram afetados diretamente pelas ondas gigantes, a Suécia foi o que teve mais vítimas - 351.
Os turistas que nadavam quando a sirene tocou foram diretamente para a praia. Mas alguns, como o instrutor de ginástica suíço Mark Straehl, 43 anos, preferiram continuar aproveitando o sol.
"Antes de dezembro, não houve um tsunami durante cem anos. Não acho que haverá outro", observou Straehl na sua espreguiçadeira. "Olha, a praia agora está vazia."
Um helicóptero chegou próximo ao mar, lançou um bote salva-vidas e sinalizadores para voluntários e resgatou um banhista "ferido" na água.
O primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que comandou a operação, se disse contente. "Este é o primeiro teste completo que realizamos de forma estruturada", disse ele a jornalistas.
"Foi tudo muito bem, e vamos continuar fazendo até que as pessoas se acostumem", afirmou, acrescentando que o treinamento deve acontecer duas vezes por ano.
Quando o sistema estiver todo instalado, haverá 50 torres de alertas, alimentadas por energia solar, ao longo das praias de areias brancas e aldeias de pescadores de seis províncias do sul do país, inclusive Phuket. Elas darão alertas em seis línguas - tailandês, inglês, japonês, chinês, francês e alemão.
Samith Dharamsoroja, vice-ministro encarregado dos preparativos para tsunamis, disse que o governo vai também instalar três bóias submarinas para monitorar mudanças no leito marinho, que indicam terremotos.
Elas enviarão sinais para um satélite tailandês estacionado sobre o Vietnã, que vai examinar o possível surgimento de tsunamis. O Centro Nacional de Alerta de Desastres vai avisar os meios de comunicação.
As torres, baseadas em modelos existentes em Taiwan e no Havaí, custam quase 100 mil dólares cada. Já as bóias têm de ser trocadas anualmente, ao custo de cerca de US$ 8 milhões. "Mas não se pode comparar o custo do equipamento à vida das pessoas e aos danos materiais", disse Samith.
O exercício de sexta-feira simulou um tremor de magnitude 9 ¿ semelhante ao de 26 de dezembro no litoral da Indonésia, mas neste caso próximo ao arquipélago de Nicobar, no oceano Índico.

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