A Espanha abriu e custeará as despesas de dois corredores humanitários terrestres para enviar ajuda sanitária e alimentos à Líbia, anunciou nesta sexta-feira a secretária de Estado de Cooperação do país, Soraya Rodríguez. As vias foram abertas graças a um acordo com a associação médica árabe, com sede no Cairo, que se comprometeu a fazer com que o material humanitário chegue à cidade de Benghazi, principal enclave dos rebeldes, para que seja distribuído.
A Espanha informou a seus parceiros europeus e à ONU da possibilidade de utilizar esta via e que "a cooperação espanhola assume todas as despesas de transporte e armazenamento". Segundo Rodríguez, os corredores humanitários serão as primeiras vias de acesso seguro para ajudar a população líbia na região rebelde. O acordo com a associação inclui ainda uma contribuição econômica no envio de cerca de 600 enfermeiros à área.
A Espanha acertou ainda com o Programa Mundial de Alimentos que também ficará a cargo dos custos de transporte e armazenamento dos alimentos reivindicados pela população líbia. Rodríguez sustentou que o estabelecimento destas duas vias permitirá uma melhora na situação criada pelo embargo do espaço aéreo líbio, que provocou uma "situação humanitária complicada" na região controlada pelos rebeldes, e uma zona impenetrável controlada pelo coronel Muammar Kadafi, na qual só se encontram a Cruz Vermelha Internacional e a organização Médicos sem Fronteiras.
A secretária de Estado espanhola disse que está preparando um novo carregamento de material médico especializado, que pode ser enviado na próxima segunda-feira, e que será a terceira remessa da cooperação espanhola à região.
Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.
A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.

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