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Otan assume comando completo das operações militares na Líbia

31 de março de 2011 03h18 atualizado às 10h14

Rebeldes organizam munição para bateria antiaérea, em Ajdabiyah. Foto: Reuters

Rebeldes organizam munição para bateria antiaérea, em Ajdabiyah
Foto: Reuters

A Otan tem a partir desta quinta-feira o comando total das ações militares internacionais na Líbia, ao completar-se a transição da coalizão liderada por França, Reino Unido e Estados Unidos à Aliança Atlântica. O presidente do Comitê Militar da Otan, o almirante italiano Giampaolo Di Paola, e o general canadense Charles Bouchard, no comando das operações desde a base que a Aliança tem na cidade italiana de Nápoles, detalharão a nova situação à imprensa às 8h30 (horário de Brasília).

Segundo explicou à agência EFE a porta-voz da Otan, Oana Lungescu, o processo de transferência teve início na quarta-feira e será completado nesta quinta, de modo que a organização terá sob seu comando todos os ativos militares internacionais que operam na Líbia.

O novo passo acontece depois de os 28 países aliados terem chegado a um acordo no último domingo para que a Otan ficasse com o controle e a coordenação de todas as operações de proteção da população civil líbia, o que implica ataques contra alvos terrestres desenvolvidos até agora pela coalizão internacional.

Alguns dias antes, a organização já havia assumido a direção da zona de exclusão aérea imposta sobre a Líbia em virtude do estipulado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e, previamente, tinha feito o mesmo com a vigilância do embargo de armas que pesa sobre o país africano através de uma missão naval em águas do Mediterrâneo.

A transferência do controle sobre os ataques aéreos à Otan coincidiu com a redução dos bombardeios internacionais contra as forças de Muammar Kadafi, o que permitiu às tropas leais ao líder líbio contra-atacar e obrigar os rebeldes a se retirar. Desta forma, os rebeldes perderam ontem a maior parte do território que haviam tomado em sua ofensiva na segunda-feira, a última delas a cidade de Ras Lanuf, de modo que a frente está agora em Brega.

A Aliança assegurou que seu único objetivo é proteger a população civil, cumprindo com o mandato da ONU, e não apoiar um ou outro grupo. Estados Unidos e Reino Unido, no entano, levantaram a possibilidade de armar os rebeldes para que derrotem o regime de Kadafi, uma questão que gera desconfiança em alguns setores de Washington pelo temor de que haja membros da Al Qaeda entre os rebeldes.

No entanto, alguns países da Aliança, como a Bélgica, já se pronunciaram contra essa opção, que, segundo sua opinião, colocaria os países árabes contra a ação internacional.

Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.

A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.

EFE
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