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Perfil psicológico de Hitler previa suicídio do ditador

01 de abril de 2005 10h52

Adolf Hitler era rancoroso, não tolerava críticas e tinha tendência a menosprezar as pessoas e a buscar vingança, segundo um perfil psicológico feito em 1943 e divulgado agora por uma universidade nova-iorquina.

O perfil foi elaborado pelo psiquiatra Henry Murray, da Universidade de Harvard, a pedido do Escritório de Serviços Estratégicos (OSS), antecessora da CIA, para ajudar os aliados a entender o caráter de Hitler.

Essa análise psicológica foi divulgada pela Universidade de Cornell, em Ithaca (Nova York), num documento de 250 páginas em que é apresentado um dos primeiros perfis deste tipo sobre o ditador alemão.

A análise, que pode ser acessada no site da universidade, previa entre outras coisas o possível suicídio de Hitler, escreveu Murray.

O psiquiatra descreve Hitler como alguém incapaz de aceitar uma brincadeira e um criminoso compulsivo, mas que se mostrava perseverante diante da derrota e tinha uma grande obstinação e confiança em si mesmo.

No entanto, ele não apresentava outras qualidades para uma personalidade equilibrada, escreveu Murray, que antecipou que se a Alemanha perdesse a II Guerra Mundial, Hitler poderia se suicidar de forma dramática e explosiva, mas se ele fosse morto, poderia se transformar num mártir.

O documento foi chamado de "Análise da personalidade de Adolf Hitler com prognósticos sobre seu futuro comportamento e sugestões para lidar com ele agora e depois da rendição alemã".

Murray afirmava que havia um grande componente feminino na constituição de Hitler, que possuía muitas fraquezas, nunca tinha realizado trabalhos manuais ou praticado esportes e que era um soldado "desagradavelmente submisso".

Sexualmente, o psiquiatra descreveu Hitler como um masoquista passivo e caracterizado por sua homossexualidade reprimida.

O doutor Murray estimava que o então ditador poderia ter cometido crimes devido, em parte, ao desprezo de suas próprias fraquezas e como vingança pelos abusos sofridos durante sua infância.

As circunstâncias obrigaram Murray a analisar o ditador a distância. Para isso, ele reuniu informações de segunda mão, como sua genealogia, seu histórico escolar e militar, relatórios públicos de eventos na imprensa, filmagens, dados da OSS e os próprios escritos do ditador e de seus biógrafos.

Os especialistas contemporâneos explicam que seu estudo possui uma série de preconceitos próprios da psiquiatria dos anos em que foi feito, enquanto ignoram fatores genéticos descobertos recentemente.

O diagnóstico de Murray era que Hitler sofria neuroses, paranóia, histeria e esquizofrenia, entre outros males.

A Universidade reconhece que o mesmo Murray foi uma figura polêmica que, ao voltar à vida acadêmica em Harvard, participou de uma série de experimentos com alunos entre 1959 e 1962, entre eles Theodore Kaczynski, um estudante americano conhecido depois como "Unabomber", que foi condenado por terrorismo.

Kaczynski foi submetido a uma série de testes de stress que, mais tarde, seus advogados utilizaram para explicar sua instabilidade emocional e medo do controle de sua mente.

O perfil de Hitler foi descoberto entre documentos da "Donovan Nuremberg Trials Collection" da Biblioteca de Direito e, segundo Claire Germain, professora de Direito da Cornell, "é quase uma peça única".

Os direitos de reprodução do documento original foram cedidos à Biblioteca de Direito por Nina Murray, viúva do autor.

"Embora a psicologia tenha avançado, o documento ainda dá a oportunidade de descobrir algo da personalidade de Hitler", segundo Thomas Mills, um advogado pesquisador da Biblioteca responsável pela coleção e por outros livros raros.

EFE
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