Mexicanos que pretendem passar para o lado americano temem a presença de civis armados - é legal portar pistolas no Estado do Arizona - o que poderia aumentar a violência na fronteira. Eles dizem que hoje, de uma maneira geral, são bem tratados pelos guardas.
"Desde que a gente obedeça, eles não fazem nada", conta a dona de casa mexicana Claudia Mendonza, que viajou quase 3 mil quilômetros do interior do país e há 20 dias espera com dois amigos em Naco, no México, a oportunidade de passar para Naco, Arizona. Ela já tentou a travessia seis vezes, e em todas foi pega pelos guardas e mandada de volta para o México.
Nicolasio Campos Rodrigues e Francisco de Rovera, que tentam a travessia com Claudia, temem que tudo mude com a presença dos vigilantes do Minuteman.
Medo
"Vai ser muito pior, porque eles são civis não identificados, podem disparar, matar", diz Nicolasio. "Não são pessoas registradas, como um xerife, um patrulheiro, não vai haver controle nenhum", acredita. ¿Vai ser pior do que a polícia¿, conta Francisco.
O mexicano Trini León, que vive na Naco mexicana, também é contra os vigilantes. "Isto está errado. Esse é o trabalho das autoridades. Os cidadãos comuns não têm que fazer isso", reclama.
O Projeto Minuteman ¿ cujo nome deriva dos soldados da guerra da independência dos Estados Unidos, que deveriam estar prontos para combate em um minuto ¿ entra em vigor nesta sexta-feira, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades americanas para a vulnerabilidade da fronteira com o México e para a necessidade de aumentar o policiamento na fronteira.
A partir desta sexta-feira e pelos próximos 30 dias grupos de quatro a seis civis serão colocados a cada 800 metros ao longo da fronteira do Arizona. O grupo que organiza o projeto diz que tem entre 1,2 mil e 1,3 mil voluntários prontos a participar.
O trabalho deles, segundo Al Garza, um dos organizadores do grupo na cidade de Tombstone, no Arizona, é avistar os imigrantes que cruzam o deserto e telefonar para a guarda fronteiriça, que viria então prendê-los. Ele diz que a organização está orientando os voluntários para não usar armas no trabalho.
Na quarta-feira, o governo americano anunciou que vai enviar mais 500 agentes para a fronteira do Arizona, 155 deles começarão a trabalhar imediatamente e os outros ao longo do ano. Outros 200 policiais serão destacados para atuar no Estado nos próximos meses, considerados época de pico de imigração. Atualmente a região conta com 2,17 mil agentes.

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