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 Caminhão-tanque é incendiado perto da residência de Kadafi
02 de março de 2011 06h23 atualizado às 06h37

Autoridades não informam se pessoas ficaram feridas com a explosão, no centro de Trípoli. Foto: AP

Autoridades não informam se pessoas ficaram feridas com a explosão, no centro de Trípoli
Foto: AP

Um caminhão-tanque foi incendiado nesta quarta-feira no centro de Trípoli, perto da residência do coronel Muammar Kadafi, provocando uma grande coluna de fumaça. As autoridades não informaram sobre vítimas no local da explosão.

O edifício mais próximo ao local do incêndio, uma mesquita, não sofreu danos. Centenas de partidários de Kadafi se reuniram ao redor do veículo em chamas para manifestar apoio ao "guia da revolução" líbia. Policiais, militares e civis armados apenas observaram a manifestação.

O hotel Rixos al Naser, que hospeda muitos correspondentes da imprensa internacional na capital líbia, também fica nas imediações do local da explosão.

A Líbia vive uma insurreição popular. A região leste do país, onde fica Benghazi, segunda maior cidade da nação, está sob controle dos rebelados, assim como algumas áreas do oeste. O ditador Kadhafi, no poder há 42 anos, controla a capital Trípoli e seus arredores.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

AFP
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