Dois batalhões de forças leais ao líder líbio, Muammar Kadafi, com apoio de mercenários, lançaram nesta quarta-feira um ataque contra o enclave petroleiro de Briqa, 70 km ao oeste de Benghazi, e tomaram parte da cidade e o aeroporto, informou o jornalista líbio Faradj Maghrabi à rede Al Jazeera. Por sua parte, fontes militares do centro de recrutamento de voluntários do 17 de fevereiro, em Benghazi, asseguraram à agência Efe que os rebeldes de Briqa tinham conseguido repelir o ataque lançado pelas forças de Kadafi e os expulsaram da localidade.
Entrevistado por telefone desde a cidade de Ejdabiya, o jornalista citado pela Al Jazeera relatou que o ataque começou de madrugada com o apoio de aviões da Força Aérea e nos violentos combates foram empregados lança-foguetes RPG.
A notícia da ofensiva chegou rapidamente à cidade, cerca de 160 km ao oeste de Briqa, e seus habitantes intensificaram os preparativos para conter o avanço. O correspondente da emissora confirmou o ataque e precisou que a cidade de Benghazi, sob o controle da oposição ao regime de Kadafi, acelera suas operações de contenção ao tempo em que se prepara para lançar uma contra-ofensiva em Briga. Por sua parte, o correspondente em Benghazi da cadeia Al Arabiya indicou que as forças leais a Kadafi haviam alcançado o aeroporto, situado no centro da cidade, e que agora o controlam, assim como as instalações petrolíferas.
A ofensiva dos partidários de Kadafi acontece apenas 24 horas depois de o filho do líder líbio Seif al-Islam ter negado que o regime tivesse intenções de montar uma contra-ofensiva no oeste do país.
Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.
Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.
Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.
Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

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