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 Forças leais a Kadafi atacam cidade petrolífera perto de Benghazi
02 de março de 2011 05h32 atualizado às 07h08

Dois batalhões de forças leais ao líder líbio, Muammar Kadafi, com apoio de mercenários, lançaram nesta quarta-feira um ataque contra o enclave petroleiro de Briqa, 70 km ao oeste de Benghazi, e tomaram parte da cidade e o aeroporto, informou o jornalista líbio Faradj Maghrabi à rede Al Jazeera. Por sua parte, fontes militares do centro de recrutamento de voluntários do 17 de fevereiro, em Benghazi, asseguraram à agência Efe que os rebeldes de Briqa tinham conseguido repelir o ataque lançado pelas forças de Kadafi e os expulsaram da localidade.

Entrevistado por telefone desde a cidade de Ejdabiya, o jornalista citado pela Al Jazeera relatou que o ataque começou de madrugada com o apoio de aviões da Força Aérea e nos violentos combates foram empregados lança-foguetes RPG.

A notícia da ofensiva chegou rapidamente à cidade, cerca de 160 km ao oeste de Briqa, e seus habitantes intensificaram os preparativos para conter o avanço. O correspondente da emissora confirmou o ataque e precisou que a cidade de Benghazi, sob o controle da oposição ao regime de Kadafi, acelera suas operações de contenção ao tempo em que se prepara para lançar uma contra-ofensiva em Briga. Por sua parte, o correspondente em Benghazi da cadeia Al Arabiya indicou que as forças leais a Kadafi haviam alcançado o aeroporto, situado no centro da cidade, e que agora o controlam, assim como as instalações petrolíferas.

A ofensiva dos partidários de Kadafi acontece apenas 24 horas depois de o filho do líder líbio Seif al-Islam ter negado que o regime tivesse intenções de montar uma contra-ofensiva no oeste do país.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

EFE
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