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 Chega à Sicília navio com 258 europeus fugidos da Líbia
27 de fevereiro de 2011 09h04 atualizado às 09h24

O navio de guerra italiano San Giorgio chegou neste domingo à ilha mediterrânea da Sicília com 258 europeus que fugiram da Líbia, entre eles 122 italianos, mas também cidadãos britânicos, franceses e portugueses.

A embarcação atracou pouco depois das 9h local (5h de Brasília) na região de Catânia (leste da Sicília), procedente do porto líbio de Misurata, segundo a imprensa italiana.

Este resgate ocorre depois que no sábado um avião C-130 da Força Área da Itália, que pretendia evacuar italianos no sul da Líbia, não conseguiu permissão das autoridades líbias para aterrissar.

Nos últimos dias, a Itália repatriou 1,4 mil cidadãos seus fugidos da Líbia, país onde restam "poucas dezenas" de compatriotas, os quais se tentará resgatar nas próximas horas, explicou neste domingo o porta-voz do Ministério de Exteriores, Maurizio Massari, em declarações ao canal de televisão público Rainews.

Em entrevista publicada neste domingo pelo diário Il Mattino, o ministro de Assuntos Exteriores da Itália, Franco Frattini, diz que está recebendo reconhecimento por parte das autoridades de outros países pelo "esforço" de Roma para evacuar da Líbia não só italianos, mas também civis de outras nacionalidades.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

EFE
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