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 Líbia: protesto contra Kadafi ocorre durante visita guiada à imprensa
27 de fevereiro de 2011 09h05 atualizado às 11h03

Milhares de líbios reuniram-se neste domingo para denunciar o regime de Muammar Kadafi em frente a jornalistas que participavam de uma visita guiada organizada pelo regime na cidade de Az-Zawiyah, a oeste de Trípoli, informaram testemunhas.

Os manifestantes anti-Kadafi pareciam controlar a cidade de Az-Zawiyah. Os jornalistas foram recebidos por milhares de manifestantes reunidos na Praça dos Mártires, no centro da cidade, aos gritos de "Abaixo o regime, queremos liberdade", segundo testemunhas.

Muitos manifestantes estavam armados e alguns deles dispararam para o ar durante a manifestação.

Não se via a presença dos serviços de segurança líbios na cidade, à qual os jornalistas foram transportados pelo órgão oficial líbio encarregado da imprensa, após os combates registrados na quinta-feira passada.

Esses confrontos entre opositores e partidários do regime de Muammar Kadafi na cidade de Az-Zawiyah, a 60 km de Trípoli, deixaram mais de 35 mortos, segundo a Liga dos Direitos Humanos líbia.

Na última quinta-feira, Kadafi acusou moradores da cidade, palco de violentos confrontos entre forças de segurança e rebeldes, de se aliarem à Al-Qaeda e de estarem sob efeito de drogas.

Az-Zawiyah é uma cidade-satélite de classe média no Mediterrâneo na qual moram diversos militares pró-Kadafi. O local também abriga a maior refinaria de petróleo do país.

Um jornal líbio informou que 10 pessoas foram mortos e dezenas ficaram feridas quando forças do regime atacaram a cidade na quinta-feira.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

AFP
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