O terremoto de 26 de dezembro fez com que paredes de água atingissem Aceh. Mais de 220 mil pessoas foram mortas ou ainda estão desaparecidas e, três meses após o desastre, meio milhão estão desabrigadas. Em algumas vilas o terremoto e o tsunami mataram até quatro vezes mais mulheres que homens, disse a Oxfam após uma pesquisa nesses locais. A organização disse que os resultados foram similares na Índia e no Sri Lanka.
"Esse impacto desproporcional vai trazer problemas nos próximos anos," disse Becky Buell, diretor de políticas da Oxfam, em um relatório pedindo mais esforços para proteção às mulheres. "Já estamos ouvindo casos de estupros, assédio e casamentos forçados."
Ativistas dos direitos das mulheres em Aceh disseram que a maioria dos campos para sobreviventes do tsunami não possuem aparatos separados por sexo e que homens e mulheres de famílias diferentes domem em uma mesma barraca.
Para a Oxfam, o desbalanço na quantidade de homens e mulheres deve ser levado em conta na reconstrução, já que as mulheres temem ter de trabalhar mais para cuidar de suas famílias e sofrer pressão para ter mais filhos.
Três meses da tragédia
Hoje completa-se três meses do desastre, que matou mais de 200 mil pessoas no Oceano Índico, sendo que 106 mil ainda estão desaparecidas. Promessas de ajuda de todo o mundo chegaram a US$ 5 bilhões.
Hoje o vice-presidente da Indonésia, Jusuf Kalla, apresentou aos líderes de Aceh um projeto de reconstrução de 40 trilhões de rupias (US$ 4,3 bilhões) nos próximos cinco anos, destinado a colocar a província de volta nos trilhos.
A Indonésia estabeleceu o dia 26 de março como o fim da fase de socorro, dizendo que um grande plano agora é necessário para guiar o enorme trabalho de reconstrução e que o trabalho das agências de ajuda em Aceh, na ponta norte de Sumatra, precisa ser coordenado.

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