O ex-presidente Charles Taylor aguarda o início de seu julgamento no Tribunal Especial da ONU para Serra Leoa
Foto: Reuters
O advogado do ex-presidente da Libéria Charles Taylor deixou nesta terça-feira a sala de audiência do Tribunal Especial para Serra Leoa (TESL), recusando-se a assistir ao início da leitura da acusação.
"Não acreditamos que seja apropriado participar" da leitura da acusação, declarou Courtenay Griffiths, advogado de Taylor, aos juízes do TESL, cuja sede fica em Leidschendam, perto de Haia.
O advogado criticou a decisão dos juízes de não aceitar a apresentação do documento que resume os argumentos da defesa, vinte dias depois da data limite fixada pelo tribunal.
"Nosso dever é sair" afirmou o advogado. A presidente Teresa Doherty ordenou em vão que Griffiths se sentasse para ouvir a acusação. "O processo vai seguir, já houve muitos atrasos", afirmou.
O processo de Charles Taylor, primeiro chefe de Estado africano acusado pela justiça internacional, foi aberto em janeiro de 2008 na Holanda. A sentença é esperada para 2011.
Taylor, que responde 11 acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante a guerra entre Libéria e Serra Leoa, nega ter entregado armas aos rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF) em troca de receber os chamados "diamantes de sangue" extraídos por eles.
O Tribunal não prevê em seus estatutos a pena de prisão perpétua, mas a detenção de longa duração e sem limite previsto. Assim, na prática Taylor poderia morrer preso no Reino Unido, onde se espera que cumpra a sentença caso seja considerado culpado.
"Diamantes de sangue"
Ao longo do julgamento, foram ouvidas mais de 110 testemunhas, embora o momento de mais expectativa tenha acontecido em agosto de 2010, quando depôs a modelo Naomi Campbell, que o ditador teria presenteado com supostos "diamantes de sangue" com os quais financiava as guerrilhas.
A partir das declarações de Naomi, das de sua ex-agente Carole White e da atriz Mia Farrow, a acusação tentou demonstrar aos juízes que Taylor mentiu quando afirmou durante o julgamento que nunca havia colocado as mãos em diamantes brutos.
Apesar de as três mulheres terem afirmado que a modelo recebeu diamantes na noite seguinte a um jantar em 1997 na África do Sul, na residência do então ditador, elas discordam quanto ao número de pedras. Mia Farrow disse que foi uma só, Naomi, três, e Carole, cinco ou seis.
Os promotores também terão dificuldades para provar que esses diamantes provinham dos "homens de Taylor", visto que a defesa do ex-presidente liberiano forçou Carole a reconhecer que somente "supunha" que quem levou os diamantes à modelo trabalhava para ele.
Conhecidas como "diamantes de sangue", as pedras preciosas em Serra Leoa eram extraídas com mão-de-obra escrava, boa parte da qual formada por crianças.

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