Mãe e irmã de Terry Schiavo aguardam decisão do congresso dos EUA.
Foto: AP
Os democratas, que não tinham se manifestado publicamente durante o fim de semana, conseguiram frustrar o plano dos republicanos de aprovar o projeto por unanimidade neste domingo, em uma sessão extraordinária.
Com isso, aumenta o drama sobre o futuro desta mulher de 41 anos, que está em um asilo da Flórida.
Na sexta-feira passada, um juiz desse estado ordenou a desconexão da máquina que mantinha Schiavo viva. Assim, segundo os especialistas, ela pode morrer em um prazo de duas semanas se não for conectada novamente. Os republicanos precisam conseguir que pelo menos 218 dos 435 legisladores da Câmara interrompam seu feriado da Semana Santa para participarem de uma outra sessão especial que começará no início da manhã de segunda e na qual será votado o projeto.
Se aprovado, o texto passará para o Senado e depois para o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para sua assinatura. Bush estava em seu rancho em Crawford (Texas), mas voltou antes do previsto a Washington com a esperança de poder ratificar o projeto, disse o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan. "Trata-se de defender uma vida", disse.
A lei permitiria aos pais de Terri Schiavo recorrer aos tribunais federais contra o decreto do juiz estadual de retirar o tubo que a alimentava. Essa decisão foi tomada na sexta-feira passada a pedido de seu marido, Michael Schiavo. Segundo os republicanos, o juiz que recebesse o caso teria que ordenar a inserção do tubo enquanto a apelação estivesse em trâmite.
A advogada dos pais de Schiavo, Barbara Weller, disse que enviou uma carta ao asilo para que os médicos se preparem para conectar Terri Schiavo às máquinas novamente. Como nos últimos dias, o futuro de Terri Schiavo foi novamente discutido em público hoje. "Imploro às mães e aos pais que chamem seu congressista. Ajudem a aprovar esta lei. É muito, muito importante", disse Mary Schindler, mãe de Terri, em uma declaração às câmeras de TV em frente ao asilo.
Já Michael Schiavo, que detém a guarda legal de sua esposa, afirmou em entrevista à rede de televisão CNN que está escandalizado com a intromissão do Congresso. "Acredito que todo americano também deveria estar escandalizado com o fato de o governo estar se metendo em um assunto familiar que foi analisado nos tribunais durante sete anos", disse.
Os tribunais da Flórida determinaram que Terri Schiavo está em um "estado vegetativo permanente".Segundo seu marido, antes de sofrer o ataque de coração que provocou o dano cerebral muito grave de Schiavo, ela teria dito que não gostaria de viver na condição na qual está atualmente.
No entanto, os pais de Terri sustentam que ela responde a suas vozes e que poderia se recuperar, o que os médicos descartam. O líder da maioria republicana na Câmara de Representantes, Tom DeLay, anunciou ontem que os líderes de ambas as câmaras do Congresso tinham conseguido harmonizar vários projetos de lei sobre o tema e contavam com um único texto apoiado por representantes de ambos os partidos.
No entanto, um grupo de democratas se manifestou hoje contra o projeto e pediu que seja permitido o cumprimento do que seu marido diz que foi a vontade de Terri Schiavo. Segundo o legislador democrata Barney Frank, a lei proposta viola a separação entre a jurisdição dos estados e do governo federal, e infringe a independência do poder Judiciário. "O Congresso está atuando como se fosse um Tribunal Supremo", disse.
"Quando me apresentei às eleições, não pedi aos eleitores o direito de tomar decisões sobre a vida ou a morte", disse Debbie Wasserman-Schultz, uma legisladora que conhece bem o caso porque representa um distrito da Flórida.

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