A Frente Popular Marfinense (FPI), o partido de Laurent Gbagbo, rejeitou nesta terça-feira qualquer solução à crise pós-eleitoral na Costa do Marfim que aponte a renúncia da Presidência de seu líder, apesar das exigências da comunidade internacional.
O presidente do FPI, Pascal Affi N'Guessan, considerou uma manobra de "distração" a proposta anunciada pelo embaixador da Organização das Nações (ONU) à Costa do Marfim, Youssouf Bamba, de formar um governo de união nacional se Gbagbo deixar a Presidência pacificamente.
"O que não é negociável é a vitória de Laurent Gbagbo, eleito e proclamado oficialmente presidente, que governa o país", disse N'Guessan à emissora pública Rádio da Costa do Marfim, contra da opinião dos organismos internacionais, que consideram Ouattara presidente eleito do país.
Bamba, segundo disse à emissora britânica BBC, acredita ser possível formar um Governo de união nacional se Gbagbo renunciar a Presidência e reconhecer Ouattara como vencedor do segundo turno das eleições presidenciais no dia 28 de novembro do ano passado.
O diplomata especificou que o resultado das eleições não é negociável: "Gbagbo foi derrotado, tem que admitir isto, tem que renunciar e o resto é negociável", afirmou Bamba, que choca frontalmente com os postulados de N'Guessan.
Tanto a União Africana como a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) reconheceram Ouattara como presidente e suspenderam as eleições na Costa do Marfim até a transferência do poder.
Crise pós-eleitoral
No dia 28 de novembro de 2010, a Costa do Marfim realizou o segundo das eleições presidenciais, cujo resultado permanece até agora indefinido. Os dois candidatos se consideram vencedores do pleito: o até então presidente, Laurent Gbagbo; e o líder oposicionista, Alassane Ouattara.
Internamente, a situação está dividida e reflete a antiga cisão por que o país passou na Guerra Civil de 2002: Gbagbo conta com o apoio da porção sul do país, enquanto Ouattara tem sua base no Norte. Externamente, porém, a ampla maioria da comunidade internacional apoia a renúncia de Gbagbo e a posse de Ouattara.
Enquanto o dilema político não se resolve, a sociedade marfinense vive à beira do colapso: a ONU reportou casos de violência e teme um conflito de proporções graves. Centenas já morreram, e milhares fugiram para a Libéria, país vizinho. A União Africana, que mantém diálogo com os líderes, não descarta uma intervenção no país.

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