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América Latina desconfia da expansão da China, diz WikiLeaks

03 de janeiro de 2011 17h13 atualizado às 18h42

A América Latina receia a expansão da China, publicou nesta segunda-feira o jornal El País, a partir de documentos da diplomacia americana vazados no site WikiLeaks, que ilustram a desconfiança dos líderes latino-americanos após uma visita à região de líderes comunistas chineses.

A viagem do vice-presidente chinês, Xi Jinping, e do vice-primeiro ministro, Jui Liangyu, e o aumento dos investimentos do gigante asiático alimentaram esse receio, explicou o jornal.

"As relações dos Estados Unidos e da América Latina foram ignoradas pela administração Bush, e a China busca preencher a lacuna", sustentou a primeira-secretária de missão brasileira, Daniella Menezes, em conversa com o adido americano em 2009, num momento em que Xi Jinping e Hui Liangyu realizavam um giro de 15 dias pela América Latina.

Um documento de 10 de março enviado pela responsável pelos negócios americanos na capital mexicana, Leslie Bassett, divulga uma reação parecida de Neil Dávila, do ProMexico (órgão governamental de promoção do comércio e dos investimentos), que afirmou: "não queremos ser a próxima África da China. Precisamos ser donos de nosso próprio desenvolvimento".

Durante uma reunião em Xangai (China) entre a consulesa americana, Beatrice Camp, e o cônsul brasileiro, Marcos Caramuru de Paiva, ele, como relata um documento de 15 de março, afirmou que os "investidores chineses pensam que a América Latina e a África são a mesma coisa".

"A estratégia da China é muito clara: faz todo o possível para controlar o fornecimento de matérias primas", advertiu Paiva.

A China é o destino de um terço das vendas desses produtos a partir do Brasil, segundo o Banco Mundial. E já é o principal sócio de Chile, Peru e Argentina. As exportações da América Latina para a China cresceram entre 1990-2008 de 0,8% do total para 10%, enquanto os Estados Unidos sofreram uma queda de 44% para 37%, afirmou o jornal.

AFP
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