As medidas do primeiro-ministro Viktor Orban e seu partido Fidesz foram repreendidas publicamente por Grã-Bretanha, Alemanha e Luxemburgo, cujo ministro do Exterior questionou abertamente na semana passada se a Hungria seria "merecedora" de liderar a UE. Berlim e outras capitais pressionaram Budapeste para emendar a nova lei de mídia antes mesmo de entrar em vigor, preocupados que o controle dilua a mensagem de liberdade de imprensa do bloco e torne-se uma distração em meio à crise de dívida da Europa.
"Nós esperamos que o governo húngaro resolva em breve essa questão satisfatoriamente e que ela não tenha impacto adverso sobre o desempenho da presidência húngara da UE", disse o Ministério do Exterior britânico em comunicado. Mas a Hungria bateu o pé. Na quinta-feira, o presidente do país ratificou a legislação que estabelece uma nova autoridade nacional de mídia repleta de seguidores do Fidesz, que supervisionará toda a produção de notícias públicas e que terá poderes para impor grandes multas à mídia privada.
Orban, cujo partido de centro-direita venceu dois terços do Parlamento em abril, prometeu resistir à pressão para mudar a lei, dizendo que ela foi mal interpretada por estrangeiros não familiarizados com a situação doméstica húngara. Durante a presidência de seis meses, a Hungria presidirá o início de negociações sensíveis sobre o Orçamento de 2014 a 2020 da UE, debate que colocará Grã-Bretanha, Aleamanha e França contra países mais pobres do Leste Europeu e da Europa Central. O bloco também precisará entrar em discussões polêmicas como a integração da grande minoria cigana e a pretensão de Bulgária a Romênia em entrar para o acordo de livre circulação da zona do euro.

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