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 Com dois presidentes, Costa do Marfim está à beira do caos
06 de dezembro de 2010 11h25 atualizado às 11h50

Apoiador do líder oposicionista Alassane Ouattara joga espigas de milho no fogo durante protesto contra o duvidoso resultado das eleições .... Foto: AP

Apoiador do líder oposicionista Alassane Ouattara joga espigas de milho no fogo durante protesto contra o duvidoso resultado das eleições presidenciais
Foto: AP

A Costa do Marfim se encontra à beira do caos com dois presidentes e dois primeiros-ministros, enquanto a comunidade internacional tenta que Laurent Gbagbo deixe a Chefia do Estado, que exerceu os dez últimos anos, após considerá-lo derrotado nas eleições do dia 28 de novembro.

No entanto, Gbagbo, rejeitou até agora os apelos internacionais e da oposição e designou um primeiro-ministro, Gilbert Marie Ngbo Ake, que nesta segunda-feira deve nomear um novo gabinete para substituir o de Guillaume Soro.

Soro, líder das Forças Novas e primeiro-ministro no Governo de Coalizão com Gbagbo desde 2007, quando a guerra civil iniciada em 2002 chegou ao fim, renunciou diante de Alassane Ouattara após reconhecer sua vitória eleitoral, assim como fez a comunidade internacional.

Ouattara voltou a designar como primeiro-ministro Soro, que nomeou um gabinete de 13 pastas, entre as quais reservou para si próprio a de Defesa.

Enquanto isso, as Forças Armadas, leais a Gbagbo, abriram na manhã desta segunda-feira as fronteiras fechadas na quinta-feira após o anúncio do resultado pela Comissão Eleitoral Independente (CEI), que apontou que Ouattara, com 54% dos votos, tinha derrotado Gbagbo, que obteve 46%.

Posteriormente, o Conselho Constitucional, composto por aliados de Gbagbo, anulou os resultados em sete departamentos do norte, onde Ouattara tinha grande maioria, e reverteu os resultados, ao atribuir 51,5% dos votos a Gbagbo e 48,5% a Ouattara.

Durante a noite do domingo e a manhã desta segunda-feira, os protestos dos militantes de Ouattara contra a pretensão de Gbagbo de se manter no poder aumentaram.

Em Issia, no sudoeste do país, sete pessoas morreram após os enfrentamentos entre partidários de Gbagbo e Ouattara, o que eleva a mais de 20 o número de vítimas da violência relacionada às eleições nas duas últimas semanas.

Na região norte, controlada pelas Forças Novas, os seguidores de Ouattara fizeram manifestações nas cidades de Bouaké, Seguela e Odienné em frente às sedes da Missão das Nações Unidas para Costa do Marfim (Onuci), para pedir que Gbagbo deixe o poder.

O enviado da União Africana, Thabo Mbeki, chegou nesta segunda-feira à Costa do Marfim e se reuniu com Ouattara e Gbagbo, além do chefe da Onuci, Choi Young-jin, e representantes da CEI e do Conselho Constitucional, dando sequência a seu trabalho para tentar evitar um novo conflito armado.

EFE
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  1. Costa do Marfim. As eleições de outubro são a chave para o 2011 da Costa do Marfim, que segue dividida entre os candidatos que se proclamam vencedores do pleito: Laurent Gbagbo, que assumiu a Presidência, respaldado por setores do Exército e pelo Conselho Constitucional; e Alassane Outtara, antigo premiê, defendido pela comunidade internacional. A disputa perdura, e o país fica à beira do conflito: a ONU reportou desaparecimentos, estupro e morte

    Foto: AP

  2. Apoiador do líder oposicionista Alassane Ouattara joga espigas de milho no fogo durante protesto contra o duvidoso resultado das eleições presidenciais

    Foto: AP

  3. Soldados patrulham local onde manifestantes protestavam; os distúrbios aumentam as preocupações sobre a possibilidade de que o país volte a se dividir em dois

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  4. Manifestantes de Alassane Ouattara correm enquanto tropas chegam para dispersar os distúrbios, em Abidjan

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  5. A tentativa de intervenção externa ocorreu depois que os dois candidatos anunciaram que haviam vencido as eleições

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  6. Apoiador do líder de oposição Alassane Ouattara põe fogo em pneus, em protesto contra a tentativa de intervenção internacional nas eleições presidenciais do país

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  7. Um dia após a divulgação da vitória da oposição, o Conselho Constitucional do país alterou o resultado e anunciou o atual presidente Gbagbo como vencedor, com 51% dos votos no segundo turno

    Foto: Schalk van Zuydam/AP

  8. Jovens simpatizantes dos dois lados tomaram as ruas de Abdijã e de outras cidades do país, atirando pedras e ateando fogo a pneus

    Foto: Schalk van Zuydam/AP

  9. Simpatizantes do líder da oposição Alassane Quattara protestam na capital Abidjã, neste sábado pela manhã, contra a alteração do resultado das eleições marfinenses

    Foto: Schalk van Zuydam/AP

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