Documentos divulgados pelo WikiLeaks afirmam que os EUA invetigam possível atividade terrorista na Tríplice Fronteira
Foto: Reuters
A diplomacia americana vigia de perto os líderes da América Latina e suspeita da possível presença da Al-Qaeda na Tríplice Fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina, de acordo com documentos secretos dos últimos anos publicados no domingo pelo WikiLeaks.
Os documentos, divulgados por vários jornais, revelam "detalhes inesperados sobre a personalidade de alguns líderes proeminentes" e demonstram o "papel que desempenham as mais íntimas facetas humanas nas relações políticas", segundo o jornal espanhol El Pais, um dos quais recebeu documentos do site WikiLeaks.
"Isto é particularmente evidente na América Latina, onde foram divulgados julgamentos de diplomatas americanos e de muitos de seus interlocutores sobre o caráter, os hobbies e os pecados das figuras mais controversas", informou.
Põe como exemplo que a chancelaria americana pediu informações a sua embaixada na Argentina sobre o "estado de saúde mental" da presidente deste país, Cristina Kirchner.
"A secretária de Estado" americana "chega a solicitar informação sobre seu estado de saúde mental", em relação à Cristina Kirchner, à sua legação em Buenos Aires, segundo o El País, que por enquanto não publicou o documento a respeito divulgado pelo WikiLeaks.
O jornal indicou que nesta segunda-feira dará detalhes sobre esta revelação e sobre "as suspeitas que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, desperta em Washington".
The Guardian publicou, por sua vez, um documento de 2008 no qual Washington pediu aos seus diplomatas que investigassem a possível presença da Al-Qaeda e de outros "grupos terroristas" islamitas no Paraguai, na região da tríplice fronteira com Argentina e Brasil.
A chancelaria americana pediu a sua embaixada em Assunção "informação sobre a presença, intenções, planos e atividades de grupos terroristas (...) no Paraguai, concretamente na tríplice fronteira" com Brasil e Argentina.
Washington queria informação não apenas da possível presença do Hezbollah ou Hamas, entre outras organizações armadas islamitas, mas também da "l-Qaeda e de "agentes estatais iranianos".
A tríplice fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina abriga imigrantes de países árabes e há anos Washington suspeitava que na região, conhecida por suas atividades de tráfico ilícito de todo tipo, eram arrecadados fundos para organizações islamitas, principalmente para a libanesa Hezbollah.
No passado, também foi investigada a conexão da tríplice fronteira com os autores do atentado à mutual judia AMIA de Buenos Aires, onde morreram 85 pessoas em 1994.
El País também informou sobre os "esforços" da diplomacia dos Estados Unidos "por cortejar os países da América Latina para isolar o venezuelano Hugo Chávez", sem publicar, por enquanto, o documento a respeito.
Por outro lado, o jornal espanhol fala de documentos sobre "certos movimentos dos Estados Unidos durante o golpe de Estado que destituiu Manuel Zelaya em Honduras" no ano passado e sobre "gestões" da diplomacia americana "para repatriar os presos de Guantánamo", em Cuba.
Outros demonstram "as permanentes pressões exercidas sobre os diferentes governos, desde Brasil à Turquia, para favorecer os interesses comerciais ou militares dos Estados Unidos" e "a aposta da diplomacia americana pela derrocada do general panamenho Manuel Antonio Noriega", em 1989.

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