Os adversários republicanos do presidente Barack Obama, grandes vencedores das eleições de terça-feira, começam a se organizar para tentar imprimir a própria marca no Congresso americano e a posicionar-se, dois anos antes da presidencial de 2012. "Se tiver a oportunidade de servir ao país como presidente da Câmara de Representantes, o Congresso será totalmente diferente", escreveu na quinta-feira a seus colegas conservadores o líder republicano John Boehner - a cara da oposição a Obama, a partir de janeiro.
Depois da vitória nas eleições de metade de mandato, os republicanos terão maioria de 240 parlamentares de um total de 435 na Câmara de Representantes. No Senado, ainda são minoria, apesar do avanço. Boehner publicou na quinta-feira um documento de 44 páginas intitulado "Os pilares da nova maioria", que recorda as grandes linhas do programa republicano: menos regulamentações estatais, cancelamento da reforma da saúde, redução dos gastos do Estado federal e reforma do Congresso.
Já o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, informou recentemente que o objetivo dos republicanos será impedir que Obama consiga um segundo mandato em 2012. "A Casa Branca tem a opção de mudar de trajetória ou persistir numa visão de Estado que os americanos rejeitaram", acrescentou McConnel em discurso pronunciado nesta quinta-feira no círculo de reflexão conservador Heritage Foundation.
Obama estendeu a mão aos republicanos na quinta-feira, convidando-os a um encontro na Casa Blanca no dia 18 de novembro, dizendo que não desejava entrar em conflito com eles nos próximos dois anos; mas terá pela frente muitos obstáculos na corrida para 2012. Segundo Thomas Mann, especialista do círculo de reflexão Brookings Institution, "nada podem fazer, além da retórica".
"Não podem cancelar a reforma da saúde, com um Senado democrata e um presidente que possui o poder de veto", informou à AFP, asegurando que nem sequer poderiam impedir a implementação da lei. Segundo Mann, os republicanos podem incomodar Obama nas pretensões para 2012 "se conseguirem asfixiar as tentativas suplementares (do governo) de ajudar a economia".
No entanto, os conservadores poderão ficar com as presidências das comissões parlamentares - ferramentas poderosas, com as quais poderão abrir investigações sobre o governo de Obama. Paralelamente, já começaram as grandes manobras para a distribuição dos postos da nova maioria. Michele Bachmann, a fundadora do movimento ultraconservador Tea Party na Câmara de Representantes, reinvidicou, no dia seguinte às eleições, um lugar de destaque na nova liderança republicana.

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