Chile e Equador lideram os avanços na luta contra a corrupção na América Latina, que vive uma ligeira melhora geral apesar da forte queda de Cuba, segundo o Índice de Percepção da Corrupção 2010, publicado nesta terça-feira pela ONG Transparência Internacional (TI).
A Venezuela ocupa o último lugar entre os países latino-americanos, com nível próximo ao da República Democrática do Congo e de Guiné.
A lista total inclui 178 países e regiões e analisa a percepção da corrupção no setor público, com escala que vai de zero (país muito corrupto) a dez (sem corrupção).
Segundo o estudo, a crise financeira provocou a piora na escala mundial e 75% dos países apresentaram queda do índice.
Os Estados Unidos obtiveram seu pior resultado desde a criação do relatório da TI, há 15 anos, embora se mantenham entre os países de bom nível, mesmo após a perda de meio ponto e de três postos em relação ao ano passado, caindo para a 22ª posição, na primeira vez fora do grupo dos 20 primeiros.
"Apesar de à primeira vista se perceber certa estagnação na América Latina, uma visão mais detalhada nota um panorama mais otimista", explicou à agência EFE Alejandro Salas, diretor da TI para a região das Américas.
Salas destacou que o êxito do Chile, que obteve 7,2 pontos e subiu quatro postos com relação ao índice do ano passado, à 21ª posição, se deve à "continuidade" política apesar da mudança de governo, a uma polícia "muito limpa" e a um Poder Judiciário "tradicionalmente autônomo".
Além disso, destacou que o Executivo chileno implementou nos últimos anos sistemas eletrônicos de governo, formas de contratação pública transparentes e leis de acesso à informação pública que ajudam a combater a corrupção.
A ascensão do Equador, que obteve 2,5 pontos e subiu do posto 146 ao 127, está ligada à percepção "talvez questionada" de uma certa "constância" do sistema político, "apesar do susto de semanas atrás", segundo Salas.
Apesar disso, o Equador segue entre os países do fim da fila da região.
Cuba, que historicamente aparece entre os países latinos menos corruptos, caiu da 61ª para a 69ª posição, ao passar dos 4,4 pontos do ano passado aos 3,7 inteiros em 2010.
Ainda assim, o diretor regional da TI recomendou cautela, já que as fontes consultadas apresentam dados contraditórios e pode dar-se em parte por uma questão "técnica".
Além do Chile, outros três países latino-americanos que apresentaram bons índices foram o Uruguai, na 24ª colocação, com 6,9 pontos; Porto Rico (33º posto, com 5,8 pontos) e Costa Rica (41ª posição, com 5,3 pontos).
No extremo contrário, as piores situações são as de Nicarágua e El Salvador, que compartilham o posto 127, com 2,5 pontos; Honduras, no 134º, com 2,4 pontos; Paraguai, o 146º, com 2,2 pontos, e Venezuela, que com 2,0 pontos fecha a lista de países latino-americanos, na 164ª posição.
No meio da lista, entre os 3,7 pontos do Brasil e os 2,8 da Bolívia, estão os demais países latino-americanos, que experimentaram variações menores.As pontuações de Colômbia (78º), Peru (78º), Guatemala (91º) e México (91º) pioraram ligeiramente, enquanto as de El Salvador (73º), Panamá (73º) e Bolívia (110º) tiveram melhoras tímidas.
Os resultados do Brasil (69º), República Dominicana (101º) e Argentina (105º) não variaram.Salas ressaltou que, apesar do avanço de a corrupção ter sido posta na agenda política na América Latina, ainda falta ao cidadão médio "ter consciência do preço" deste problema e reivindicar transparência.
Como nos últimos anos, as nações melhor situadas no Índice de Percepção da Corrupção de 2010 foram Dinamarca (9,3), Nova Zelândia (9,3) e Cingapura (9,3), enquanto Iraque (1,5), Afeganistão (1,4), Mianmar (1,4) e Somália (1,1) fecharam a lista.
Os países que mais pioraram no ranking foram República Tcheca, Grécia, Hungria, Itália, Madagascar, Níger e Estados Unidos; e os que mais melhoraram foram Butão, Chile, Equador, Macedônia, Gâmbia, Haiti, Jamaica, Kuwait e Catar.

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