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 Milhares de policiais corruptos fecham os olhos para narcotráfico
24 de outubro de 2010 06h01 atualizado às 07h33

Polícia faz perícia após assassinato de comandante em 23 de outubro em Morelia. Foto: Reuters

Polícia faz perícia após assassinato de comandante em 23 de outubro em Morelia
Foto: Reuters

Os narcotraficantes mexicanos compram, por US$ 100 milhões por mês, milhares de policiais municipais para que mantenham silêncio, fechem os olhos e atuem como matadores de aluguel de prefeitos, policiais e militares, como reconhece o Governo do México.

"Os militares contam, os policiais federais contam, quando vão entrando em uma cidade durante uma operação pela frequência da Polícia municipal ouvem as conversas e repassam aos criminosos cada passo que dão", disse o presidente mexicano, Felipe Calderón, em agosto.

Eles avisam que "estão chegando ao semáforo de certa esquina, que estão em seis caminhonetes e trazem armamento. E sabem pelas próprias policiais municipais, em alguns casos as patrulhas, que vias estarão bloqueadas" (pelas forças federais), revelou Calderón.

O líder propôs ao Senado a criação de Polícia única para cada um dos 32 estados como uma solução para o problema e visando profissionalizar e ordenar as policiais do país.

No México há mais de 400 mil policiais integrados em 2 mil corporações policiais, algumas municipais com apenas 10 agentes. O elo mais frágil da cadeia são os policiais municipais, 170 mil que recebem em média salário mensal de US$ 320, disseram hoje à Efe autoridades que assinalam que estas corporações como as mais vulneráveis ao narcotráfico.

Em segundo aparecem os policiais estatais, 200 mil soldados, melhor armados, mas que também sucumbiram à corrupção. Além disso, o México conta com os agentes federais, 41.897, que combatem o crime organizado junto com 45 mil militares. Essa corporação sofreu embates do narcotráfico e altos comandantes foram levados aos tribunais.

A dor de cabeça das autoridades federais são os policiais municipais, que em muitos casos pecam por omissão ou comissão, pois ou fecham os olhos diante do narcotráfico ou colaboram com ele, disse Juan Manuel Alcântara, secretário-executivo do Conselho Nacional de Segurança Pública (CNSP), um dos responsáveis da renovação policial. Citou como exemplo o caso de um prefeito que foi assassinado após destituir os policiais de sua Prefeitura porque os tinham considerado não aptos.

O ministro da Segurança Pública, Genaro García Luna, reconheceu que o pagamento dos cartéis da droga aos municipais supera na média o salário oficial e calculou que para estes subornos os narcotraficantes destinam ao mês US$ 100 milhões em todo o país. Esta situação serviu de base para a iniciativa de Calderón, que propõe que as policias municipais sejam absorvidas pelas estatais quando não cumpram um processo de certidão ou quando os prefeitos se declarem incompetentes para controlá-las.

Pelas fontes oficiais, a intenção de Calderón era chegar a uma Polícia nacional, mas não dão as condições "políticas" para que os governadores cedam o controle de seus policiais. Pela iniciativa de Calderón, para ser formadas as policiais únicas estatais deverão cumprir com vários requisitos, entre eles uma certidão com exames de polígrafo e toxicológicos.

Os exames começaram a aplicar com resultados alarmantes, pelos documentos oficiais. Por exemplo, em Chihuahua, o estado mais violento do país, com mais de 7 mil mortes em três anos, foram avaliados 306 policiais estatais e 803 municipais, dos quais entre os primeiros resultaram não aptos 101 (33%) e dos segundos 495 (61%). Em Sinaloa, berço dos principais chefes do narcotráfico, entre eles o mais poderoso e milionário Joaquín "El Chapo" Guzmán, 77% de 794 agentes estatais avaliados resultaram não aptos, e dos 364 municipais, mais da metade não aprovaram.

Aos críticos da iniciativa, Calderón disse que "a autonomia municipal se perde quando quem governa não é o prefeito, mas o Cartel do Golfo e Los Zetas".

Que vai passar com os policiais não aptos, que deverão sair da corporação? A resposta de fontes oficiais é que serão indenizados e será aberto expediente para "poder rastreá-los". Os que ficarem serão capacitados. Receberão armas e terão salário de 10 mil pesos (US$ 800).

EFE
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