Notícias » Mundo » América Latina » América Latina

 Popularidade de Piñera cresce após acidente com mineiros
08 de setembro de 2010 13h33 atualizado às 13h58

Valeria Perasso
Da BBC Brasil

A popularidade do presidente chileno, Sebastián Piñera, cresceu no país depois do acidente que deixou 33 mineiros soterrados em uma mina em San José, no norte do Chile.

O incidente ocorrido há um mês provocou uma intensa mobilização no Chile desde o dia 23 de agosto, quando se descobriu que os mineiros ainda estavam vivos dentro da mina. As autoridades estimam que a operação de resgate vai demorar entre três e quatro meses.

Segundo um levantamento da consultoria Adimark, desde a divulgação da notícia de que os mineiros estavam vivos, a popularidade de Piñera cresceu 11 pontos percentuais, atingindo 56% dos entrevistados na sondagem.

Do dia da posse do presidente, 11 de março, até o mês passado, a popularidade de Piñera havia caído de 52% para 46%. Nesse período, analistas acreditam que a imagem dele sofreu com as críticas à reação do governo ao terremoto do dia 27 de fevereiro.

"Este índice de popularidade (56%) é o maior alcançado por este governo, o que se pode atribuir muito aos mineiros", disse à BBC Francisco Jiménez, que coordenou a pesquisa da Adimark.

Entre as pessoas que aprovam o trabalho do presidente, 76% destacaram o seu caráter "ativo e energético" e sua capacidade de se relacionar com a população.

34º mineiro
Jiménez firma que as ações do governo após o acidente foram bem pensadas, com Piñera se deslocando até a mina, humanizando os trabalhos de resgate e se aproximando dos familiares dos mineiros, inclusive no dia em que seu sogro havia falecido.

Piñera também acrescentou sua voz à dos mineiros quando eles pediram 33 taças de vinho para celebrar o bicentenário do Chile, no dia 18 de setembro. Mas o presidente deixou a decisão a cargo das autoridades médicas, que não aprovaram o envio de bebidas alcoólicas.

O comentarista político Patricio Navia, do jornal chileno La Tercera, chegou a chamar Piñera de "o 34º mineiro".

Analistas políticos afirmam que Piñera aproveitou as operações de resgate para tentar promover o slogan oficial da sua campanha: "Uma nova forma de se governar". Até agora, o governo não havia encontrado oportunidade para colocar o lema em prática.

"O envolvimento direto do presidente e dos ministros no resgate, que foi criticado por alguns porque mostraria um governo assumindo funções de uma empresa privada, foi capitalizado para construir a imagem de uma gestão eficiente, que é o ''leitmotiv'' deste governo", disse à BBC o consultor em relações públicas, Eugenio Tironi.

A porta-voz de Piñera, Ena von Baer, sintetiza a filosofia do governo sobre o resgate: "Decisão, convicção, rapidez, urgência e bons resultados, acompanhados, neste caso, da mão de Deus".

Golborne 'para presidente'
Outro beneficiado politicamente pelo incidente foi o ministro da Mineração, Laurence Golborne. Segundo a pesquisa da Adimark, o ministro conta com o apoio de 91% dos entrevistados, um índice pouco comum em pesquisas de opinião.

Nos últimos dias, os chilenos viram Golborne chorar e até pedir desculpas por ter duvidado de que os mineiros seriam achados vivos.

"Nunca vimos um caso como este. Sendo antes o ministro menos conhecido (apenas 16% sabiam seu nome), passou a ser identificado por 51% das pessoas e com maior nível de aprovação entre todos", disse Jiménez.

Sem histórico de militância política, Golborne é engenheiro com carreira na iniciativa privada. Antes do acidente, ele foi notícia no Chile por ter viajado à Copa da África do Sul enquanto o país debatia um novo imposto sobre as mineradoras.

Hoje as redes sociais o chamam de "chileno de coração" e já sugerem seu nome para a campanha presidencial de 2014. Ele respondeu ao clamor em sua conta no Twitter: "Obrigado. Porém não sou um herói. Os 33 é que são".

Analistas observam agora por quanto tempo a opinião pública continuará favorável ao novo governo. Dificilmente Piñera conseguirá superar os índices alcançados pela presidente anterior, Michelle Bachelet, que tinha 84% de aprovação quando deixou o governo.

BBC Brasil
BBC Brasil - BBC BRASIL.com - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC BRASIL.com.