Notícias » Mundo » Mundo

 BP divide responsabilidades por vazamento no Golfo do México
08 de setembro de 2010 08h34 atualizado às 14h15

A explosão da plataforma de petróleo que provocou um gigantesco vazamento no Golfo do México foi provocada por uma "série de falhas", cuja responsabilidade envolve "múltiplas companhias", afirma o resultado de uma investigação interna da britânica BP publicada nesta quarta-feira.

"A tragédia do poço Macondo não foi causada por um único fator. De fato, uma sequência de erros que envolvem um bom número de partes conduziu à explosão e ao incêndio que matou 11 pessoas e causou uma extensa poluição no Golfo do México", destaca a BP em um comunicado.

Embora não se exima da própria responsabilidade, a empresa britânica indica que as ações de "múltiplas empresas e equipes de trabalho" contribuíram para o acidente, e que este foi provocado por "uma complexa e interrelacionada série de falhas mecânicas, decisões humanas, projeto de engenharia, implementação operacional e interconexão de equipes".

Os investigadores apontam as companhias americanas Transocean e Halliburton como responsáveis pelo pior desastre ecológico dos Estados Unidos, junto com a BP.

A Transocean operava a plataforma de águas profundas Deepwater Horizon, explorada pela BP, enquanto que a Halliburton foi contratada para, entre outros serviços, selar o poço que vazou.

O grupo suíço Transocean, proprietário da Deepwater Horizon, por sua vez, acusou a BP de ocultar "elementos cruciais" que conduziram ao drama.

"O relatório da BP tenta ocultar elementos cruciais que levaram ao acidente de Macondo: a concepção fatalmente defeituosa da BP", afirmou a AFP um dos dirigentes da companhia, Lou Colasuonno.

O relatório é resultado de quatro meses de investigações sobre o acidente, ocorrido em 20 de abril. O trabalho envolveu 50 pessoas de dentro e fora da BP e foi coordenado pelo diretor de segurança do grupo, Mark Bly.

O presidente executivo da BP, Tony Howard, muito criticado nos Estados Unidos por sua gestão da crise, estimou nesta quarta-feira em um comunicado que o relatório proporciona "novas e importantes informações" sobre as causas do acidente.

"É evidente que uma série de acontecimentos complexos, ao invés de um único erro ou falha, levaram à tragédia. Várias partes, incluindo a BP, a Transocean e a Halliburton, estão envolvidas", argumentou.

Entre as descobertas, Howard ressaltou problemas na vedação e em uma barreira situada no fundo do poço, falhas em alguns testes e também nos procedimentos de controle do poço, que até recentemente vertia um total de 4,9 milhões de barris de petróleo no mar.

Com base em suas conclusões, os investigadores estabeleceram 25 recomendações para prevenir novos acidentes. A BP diz estar examinando a lista para aplicar as diretrizes em todas as suas operações.

O estudo era considerado elemento essencial na composição da estratégia que será usada pela BP nas ações judiciais que enfrenta nos EUA, onde vários congressistas acusam o grupo de ter negligenciado medidas de segurança.

O Greenpeace, que intensificou ainda mais suas criticas e ações contra a BP, declarou em uma nota que o relatório elaborado pela empresa é "uma triste tentativa de estender a responsabilidade do desastre", o que revela uma "devastadora sequência de erros humanos, incompetência e falhas técnicas".

AFP
AFP - Todos os direitos de reprodução e representação reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.