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 Criminosos protestam e paralisam transportes em El Salvador
08 de setembro de 2010 01h55 atualizado às 02h21

Os grupos criminosos Mara Salvatrucha (MS) e Mara 18 (M-18) obrigaram a paralisação do transporte coletivo em El Salvador, em um dia que termina com três ataques e três detenções, enquanto o governo anunciou que não negociará e que dará proteção aos transportadores.

"Fazemos um chamado ao governo para que vete a lei de proscrição de grupos armados, e sugerimos um processo transparente de diálogo a fim de buscar solução para o conflito da violência", afirmaram os bandos em comunicado divulgado pela imprensa local.

Os grupos reivindicaram uma onda de ameaças que circularam desde a noite dessa segunda-feira no setor do transporte para fazer com que o presidente do país, Mauricio Funes, não aprove a "Lei de proscrição de gangues, bandos, agrupamentos, associações e organizações de natureza criminosa", aprovada pela Assembleia Legislativa no último dia 1º.

A lei penaliza o pertencimento e o financiamento dos grupos, e eleva a dez anos a pena de prisão por participação nestas organizações.

"Queremos esclarecer que a medida foi executada com o único objetivo de sermos escutados. Há alguns meses o presidente Funes chamou todos os setores para consultas sobre o tema da violência e não fomos convidados", acrescentou o documento dos grupos criminosos.

Pedindo ao povo salvadorenho "sinceras desculpas pelos inconvenientes causados" pela paralisação do transporte que, segundo fontes do setor, afetou entre 40 e 60% das rotas, os criminosos anteciparam que pretendem manter a suspensão de atividades durante 72 horas.

Nessa terça-feira foram reportados três ataques contra unidades do transporte público e a detenção de três supostos autores, segundo afirmou o diretor da Polícia Nacional Civil (PNC) de El Salvador, Carlos Ascencio.

Com estas capturas, são nove detidos nos últimos dois dias, depois que seis supostos membros do M-18 foram presos na localidade de Ilopango (ao leste de San Salvador).

Em reação oficial ao pedido dos bandos, o ministro da Defesa, David Munguía Payés, garantiu que o governo não negociará com estes grupos, que iniciaram as ações enquanto Funes visita os EUA.

"Um governo democrático como o nosso, eleito legitimamente, não pode negociar com organizações criminosas", resumiu Munguía ao "Channel 4" da televisão local.

Funes, que viajou na noite do domingo a Los Angeles para participar de atividades com a comunidade salvadorenha nos EUA, deve retornar ao país nesta quarta-feira.

EFE
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