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 Potências mundiais pedem que Irã coopere com a AIEA
07 de setembro de 2010 13h14 atualizado às 13h27

Rússia e China persuadiram nesta terça-feira o Irã, que é seu parceiro comercial, a cooperar com a organização de vigilância nuclear da ONU, depois de esta ter acusado Teerã de dificultar seu trabalho, barrando alguns de seus inspetores. O Irã, que rejeita as acusações ocidentais de que estaria procurando construir bombas atômicas, disse que está cooperando plenamente com a agência e que tem o direito de rejeitar os inspetores da ONU que transmitem informações "falsas" sobre seu programa nuclear.

Um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ao qual a Reuters teve acesso na segunda-feira, diz que a República Islâmica está seguindo adiante com seu trabalho nuclear, desafiando as sanções internacionais endurecidas. O relatório também expressa preocupação com possíveis atividades iranianas para desenvolver um míssil com ogivas nucleares e pediu que Teerã intensifique sua cooperação com a AEIA e possibilite prontamente o acesso aos sítios, equipamentos e pessoal relevantes.

Washington, que liderou uma nova onda de medidas punitivas impostas desde junho ao Irã, grande produtor petrolífero, disse que o relatório mais recente da AIEA é "preocupante". Rússia e China, ambas as quais têm laços econômicos fortes com Teerã e já resistiram à imposição de sanções no passado, disseram que o Irã deve melhorar sua cooperação com a AIEA, sediada em Viena. Moscou e Pequim subscreveram a rodada mais recente de sanções da ONU, mas não apoiaram as medidas adicionais adotadas pelos EUA e União Europeia contra o setor petrolífero e de gás iraniano.

O chanceler russo Sergei Lavrov disse que o Irã precisa responder às exigências da agência da ONU. "A AIEA precisa continuar seu trabalho ... O Irã precisa responder às exigências da AIEA," disse Lavrov em coletiva de imprensa em Paris. Seu colega francês, Bernard Kouchner, disse que "a cooperação e colaboração foram suspensas pelo Irã." Em Pequim, a porta-voz do Ministério do Exterior chinês Jiang Yu disse a jornalistas: "Esperamos que o Irã e a agência possam cooperar plenamente, gerando confiança da comunidade internacional na natureza pacífica de suas usinas nucleares."

O Irã é grande fornecedor de óleo cru à China, segunda maior consumidora mundial de petróleo, depois dos Estados Unidos. O Ocidente espera que as novas sanções - que incluem medidas contra o setor petrolífero - convençam a liderança iraniana a recuar e suspender suas atividades sensíveis. O Irã já rejeitou esses chamados repetidas vezes e vem enviando sinais ambíguos quanto à sua disposição em negociar com o Ocidente.

Reuters
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