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 Recusa da Síria a inspetores ameaça investigação nuclear
06 de setembro de 2010 21h04 atualizado às 21h51

A recusa da Síria em permitir que inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) tenham acesso a um local onde o país poderia ter desenvolvido atividade nuclear põe em perigo as provas na investigação, disse a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Já faz mais de dois anos que a agência teve acesso ao local, bombardeado por Israel em 2007, pela última vez. A Síria, aliada do Irã, nega ter tido alguma vez um programa para o desenvolvimento de bombas nucleares.

"Com o tempo, alguma informação necessária pode se deteriorar ou se perder por completo", escreveu o chefe da AIEA, Yukiya Amano, em relatório confidencial obtido pela Reuters.

Relatórios da inteligência norte-americana sinalizam que o local, conhecido como al-Kibar ou Dair Alzour, era um incipiente reator nuclear desenhado pela Coreia do Norte para produzir combustível atômico.

Neste ano, a AIEA validou suspeitas de que ocorreram atividades atômicas ilícitas na instalação, afirmando que seus inspetores encontraram rastros de urânio em uma visita realizada em 2008.

"Os elementos do edifício e sua conectividade para esfriamento adequado são similares ao que poderíamos achar em uma instalação nuclear", afirmou o último relatório.

A agência deseja inspecionar novamente o local para obter amostras dos escombros removidos imediatamente após o ataque aéreo.

Amano pediu à Síria que cooperasse e criticou seu governo por não prover documentos relacionados o local de Dair Alzour, sobre o qual fez somente declarações "limitadas em detalhes".

Também reiterou seu chamado para que a AIEA tenha acesso a três outras instalações sírias sob controle militar, cujas aparências foram alteradas por jardins quando os funcionários da ONU solicitaram uma visita.

Reuters
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