O grupo separatista basco ETA afirmou que não vai mais realizar atentados em sua campanha por independência na Espanha. Em um vídeo obtido pela BBC e divulgado neste domingo, o grupo afirma que a decisão foi tomada há meses para "colocar em andamento um processo democrático".
O governo espanhol se recusava a negociar com o ETA enquanto o grupo mantinha a luta armada. O governo ainda não se manifestou sobre o vídeo divulgado neste domingo. A campanha violenta do ETA por independência do País Basco levou a mais de 820 mortes nos últimos 40 anos. Nas últimas décadas, o ETA já havia anunciado cessar-fogo em duas ocasiões, mas nas duas vezes acabou abandonando a iniciativa.
No vídeo obtido pela BBC, três integrantes do ETA aparecem com máscaras ao lado de bandeiras do grupo separatista. A pessoa no meio lê um pronunciamento do ETA em defesa da luta armada pela independência do País Basco, mas no final afirma que o grupo agora quer atingir seu objetivo de forma pacífica e democrática.
"O ETA confirma o seu comprometimento com a busca de uma solução democrática para o conflito", afirma. "Nós pedimos aos cidadãos bascos que continuem seu esforço, cada um na sua área, com qualquer que seja o grau de comprometimento de cada um, para que nós possamos derrubar o muro da negação e possamos dar passos irreversíveis para frente, a caminho da liberdade."
"ETA faz saber que há alguns meses tomou a decisão de não executar ações armadas ofensivas". "ETA reafirma o compromisso com uma solução democrática (...) para que, através do diálogo e da negociação, nós cidadãos bascos possamos decidir noss futuro de forma livre e democrática", diz o texto.
O grupo afirmou que, se o governo da Espanha tiver vontade, está disposto, hoje como ontem, a concordar com condições democráticas mínimas necessárias para empreender o processo democrático.
"Assim também fazemos saber à comunidade internacional. A ela fazemos um pedido para que responda com responsabilidade histórica à vontade e compromisso do ETA, para que tome parte na articulação de uma solução duradoura, justa e democrática para este secular conflito político".
"Esgotado o marco autonômico, ao Povo Basco chegou a hora de realizar a mudança política, o momento de construir para Euskal Herria o marco democrático, seguindo o desejo da maioria da cidadania basca". "O Estado espanhol é consciente de que Euskal Herria se encontra em uma encruzilhada, e de que ainda pode optar pela opção da independência", diz o comunicado.
O texto prossegue: "É tempo de assumir responsabilidades e de dar passos firmes: na articulação do projeto de independência; no caminho de criar as condições para construir o processo democrático; na resposta à repressão e na defesa firme dos direitos civiles e políticos". "A mudança política é possível (...) Neste esforço, a mão do ETA esteve e está estendida, sempre".
Nos últimos anos, o ETA enfraqueceu-se na Espanha, depois que alguns dos seus líderes foram presos. Partidos políticos na região, que também defendem a independência do País Basco, vinham pedindo que o grupo renunciasse à violência. Em 2006, negociações pela paz foram interrompidas depois que uma bomba do ETA matou duas pessoas em um aeroporto em Madri.
Com informações de Agências Internacionais
- Redação Terra


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