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 Novas tecnologias na campanha eleitoral na Venezuela
05 de setembro de 2010 06h29

Em meio à polarização que marca o cenário político venezuelano face às próximas eleições parlamentares, as redes sociais aparecem como uma via efetiva para fazer campanha, embora os analistas questionem sua influência na decisão do voto.

Venezuela registrou nos últimos anos um vertiginoso crescimento no uso da internet, um serviço que usado por 9,3 milhões de pessoas, pelos dados da estatal da superintendência de serviços eletrônica da Venezuela.

Na atualidade, 33 em cada 100 venezuelanos utilizam a internet, não só por meio de um computador, mas também pelo celular, que neste país caribenho é um dos serviços de maior demanda, com mais de 27 milhões de linhas ativas.

Em um cenário de constante tensão, a rede e suas infinitas oportunidades se transformaram em um meio a mais de propaganda e debate político, que está sendo utilizado tanto pelo Governo quanto pela oposição, que consideram as eleições como "cruciais" para o futuro do país.

A discussão radica em saber realmente se todos os mecanismos disponíveis na rede influenciam no voto de uma sociedade acostumada a negociar política na rua e o qual pode ter impacto nas legislativas de 26 de setembro, às quais foram convocados mais de 17 milhões de eleitores.

Para o professor universitário Marcelino Bisbal, analista em comunicação, internet, "mais do que influenciar na decisão do voto, ajuda a reforçar uma ideia já concebida".

O professor da Universidade Católica Andrés Bello argumenta que na Venezuela a maioria dos usuários de internet ainda pertence às camadas médias da população, onde o presidente do país, Hugo Chávez, "não tem muita influência".

Isso demonstra, disse Bisbal em entrevista a Agência Efe, que o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) "está na rede simplesmente para resistir à oposição".

Bisbal indicou que os usuários de internet têm como última prioridade os temas relacionados com política, por isso que a oposição "também não tem razões para estar esperançosa" em conquistar novos votos por essa via.

Mesmo assim, ambos os setores políticos antagônicos avaliam a internet como um meio efetivo de comunicação com os eleitores e abriram contas em redes sociais como Twitter, o grito da moda eletrônica na Venezuela.

O presidente venezuelano, incentivador do chamado socialismo do século 21, abriu em maio sua conta (no Twitter), que tem quase 800 mil seguidores e pela qual faz anúncios governamentais e emite opiniões sobre diversos temas.

Chávez, que declarou "guerra à comunicação" para enfrentar ao que chama de "mentiras" da oposição e os meios privados contra si, também conta com um blog e com um espaço pessoal no site do PSUV, chamado "Las lineas de Chávez".

Depois dele, vêm os homens e mulheres fortes da "revolução", como ministros e dirigentes partidários.

As juventudes bolivarianas mantêm uma notável presença nas redes sociais como Facebook. A oposição aproveita o mundo virtual e os serviços de mensagens pelos celulares para organizar manifestações, protestos e mobilizações contra o Governo.

Ao amparo da liberdade que oferece a internet também ocorrem fraudes como a criação de contas falsas no Facebook e no Twitter em nome do líder governista e presidente do Parlamento, Cilia Flores, e do editor do jornal opositor "Tal Cual" e ex-ministro e antigo guerrilheiro Teodoro Petkoff.

Em março, o próprio Chávez expressou sua preocupação pelo uso que seus rivais faziam da internet e sugeriu a criação de uma lei para regular o setor, uma iniciativa que não prosperou no país.

A dúvida agora é saber o que vai acontecer na noite de 26 de setembro, quando começarem a circular na internet as projeções dos votos, em um país onde está proibida a publicação antes do anúncio oficial dos resultados.

EFE
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