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 Mineiros presos fazem 1ª videoconferência com familiares
04 de setembro de 2010 19h38 atualizado em 05 de setembro de 2010 às 10h58

Parentes reveem mineiros soterrados em videoconferência

Neste sábado, por volta das 16h (17h no horário de Brasília), começou a primeira videoconferência entre os 33 mineiros presos na mina San José (800 km ao norte de Santiago) e seus familiares, reunidos no acampamento "Esperanza".

O contato pode ser feito graças ao sistema de fibra óptica instalado pelas equipes de resgate. Embora as famílias pudessem ver os mineiros, estes somente tinham contato por telefone e não puderam enxergar os familiares.

A comunicação se realizou em uma sala especialmente montada no acampamento para assegurar mais privacidade aos trabalhadores e suas famílias. Cada mineiro pode conversar com três familiares durante cerca de um minuto.

Antonia Godoy, mãe do mineiro Richard Villarroel, contou ao canal 24 Horas a emoção que sentiu ao ver e conversar com o filho. "Foi emocionante, eu queria poder tirá-lo de lá ali mesmo pela tela", disse. Ela revelou também que as autoridades prometeram que, mais adiante, os familiares terão um tempo maior para conversar com os mineiros.

"Eles não nos viam, mas nós podíamos vê-los", contou ela. E acrescentou, rindo, que pediu ao filho para que ele "emagreça para que possam tirá-lo de lá".

Jéssica Salgado, mulher do minerador Alex Vega, não escondeu a emoção após falar com o marido. "Vi ele com um ótimo aspecto, barbeado, não como da última vez", contou à agência Efe. "Disse que o amava muito e a única coisa que ele disse é que estava preocupado com nossas dívidas aqui fora, mas já lhe disse para não se preocupar".

Jéssica compareceu à cabine onde foi realizada a videoconferência com uma de suas três filhas, de seis anos de idade. "Ela falou com o papai e lhe disse que gostava muito dele", acrescentou a mulher.

Elías Barrios, pai de Johnny Barrios, o minerador que se tornou o "médico" dentro da jazida graças a seus conhecimentos de enfermagem, comentou visivelmente emocionado que seu filho está "muito bem". "Mandou uma saudação a todas as famílias. Eu lhe disse para ter força, que falta pouco para sair", contou Barrios à Efe.

Resgate
O governo chileno afirmou que mantém os planos de usar três perfuradoras, mas até agora somente uma delas começou a penetrar na mina. De acordo com o Escritório Nacional de Emergência (Onami), a perfuradora Raise Borer Strata 950, que começou a cavar na terça-feira passada, alcançou até o momento 41 metros de profundidade.

Os trabalhos com esta máquina estão sendo desenvolvidos mais devagar que o esperado devido à descoberta de falhas geológicas na rocha, algo que as equipes de resgate consideram habitual durante os primeiros 100 metros de perfuração.

Já a segunda perfuradora, Schramm T-130, entrará em atividade provavelmente amanhã. O objetivo é perfurar outro poço aproveitando uma das sondas que tem ligações com as galerias interiores da mina onde os operários estão isolados, tarefa que poderia demorar dois meses, segundo alguns analistas.

No acampamento "Esperanza", do lado de fora da mina, as famílias dos mineradores soterrados batizaram esta perfuradora como "A Milagrosa", convencidas de que ela permitirá o resgate dos trabalhadores antes do prazo de três ou quatro meses estimado pelas autoridades.

Mas, além dessas duas sondas, existe uma terceira alternativa para o resgate. Trata-se de uma máquina de perfuração petrolífera, pertencente à Empresa Nacional de Petróleo (Enap) do Chile. Essa máquina, que segundo especialistas é a mais rápida das avaliadas até o momento, pode começar a trabalhar antes do dia da pátria, 18 de setembro, ressaltou o Onami.

Um mês do acidente

Neste domingo se completa um mês desde que um desabamento deixou os mineiros presos a 700 metros de profundidade. Às 14h40, horário em que aconteceu o primeiro desmoronamento, em 5 de agosto, as equipes de resgate farão um "buzinaço" com os veículos estacionados no acampamento "Esperanza" em homenagem aos mineiros. É esperada também a visita do presidente do Chile, Sebastián Piñera, ao acampamento, ainda não confirmada oficialmente.

Os mineiros e seus familiares receberam também, neste sábado, a visita de quatro uruguaios, sobreviventes da tragédia dos Andes de 1972, quando um avião que levava uma equipe de rúgbi caiu em meio à cordilheira. Eles foram levar sua mensagem de solidariedade aos trabalhadores e suas famílias.

(com Terra Chile, El Mercurio e agências internacionais)

Redação Terra