Um grupo de especialistas da Nasa, a agência espacial americana, entregou nesta sexta-feira o relatório com suas recomendações sobre como sustentar os 33 mineiros presos há 29 dias em uma mina no norte do Chile, cujo resgate deve exigir ao menos mais três meses. "Este é um caso sem precedentes, pela profundidade em que estão e pelo tempo de sobrevivência", destacou o líder dos especialistas, Michael Duncan, médico do Centro Espacial Johnson, em Houston (Texas).
A equipe chilena está, de certo modo, abrindo caminho e "escrevendo um livro" sobre este tipo de resgate. "Fizemos um grande número de comparações com o ambiente que os astronautas enfrentam, incluindo a questão da vitamina D, já que ambos não recebem luz solar (...) e recomendamos a ingestão adequada de suplemento de vitamina D", destacou.
Duncan recomendou ainda a "melhoria das condições de iluminação para que exista um ambiente de dia e noite no interior da mina, com rotina de trabalho, organização e lazer". Também aconselhou a realização de exercícios adequados para manter os mineiros em forma, e opinou sobre o desenho da cápsula que será enviada para o resgate.
"Como isto não tem precedentes, não há um veículo disponível e precisamos criar algo adaptado às circunstâncias, com limitação de tamanho devido ao diâmetro da chaminé de resgate (70 cm). A cápsula já está sendo criada nos estaleiros da Marinha do Chile e segundo um oficial, "deve contar com oxigênio, comunicações, luz, câmera de vídeo (...) e um dispositivo de fuga" caso o equipamento fique bloqueado, permitindo que o mineiro volte ao fundo da mina.
O viagem da cápsula com cada mineiro deverá durar cerca de uma hora, por 700 m da chaminé aberta na mina San José, no meio do deserto de Atacama, 800 km ao norte de Santiago.

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